Tarcísio defende negociação e critica ameaça de retaliação aos EUA
Governador de SP afirma que tarifaço não era inesperado e que Brasil deveria ter negociado antes

O governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), manifestou-se nesta quarta-feira (22) contra a adoção de medidas retaliatórias previstas na Lei da Reciprocidade em resposta ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
Em entrevista à Revista Oeste durante evento do Grupo Bandeirantes, o governador defendeu que o Brasil mantenha a via diplomática e prioritize as negociações com o governo americano.
“O Brasil tem que fazer é continuar negociando. A negociação é o caminho”, afirmou Tarcísio, avaliando que uma reação brusca do governo federal poderia ampliar os prejuízos econômicos já esperados com a sobretaxa americana, que entrou em vigor nesta quarta-feira.
O governador ponderou que o movimento dos EUA já era previsível, uma vez que a investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301 estava em curso desde o ano passado.
O órgão norte-americano aponta supostas práticas comerciais desleais do Brasil em áreas como comércio digital, acesso ao mercado de etanol, políticas relativas ao Pix e ações de combate ao desmatamento.
Para Tarcísio, o governo brasileiro teve tempo hábil para buscar acordos e minimizar os efeitos da medida.
Apesar da lista de produtos isentos das novas tarifas, ele ressaltou que diversos setores, especialmente o agronegócio e o de máquinas e equipamentos, seguirão impactados, com reflexos diretos na economia paulista.
Como estratégia de contenção de danos no âmbito estadual, o governador sinalizou que pretende repetir a antecipação da liberação de créditos de ICMS para exportadores, medida adotada em episódios anteriores de sobretaxas e que, segundo ele, apresentou resultados positivos.
Tarcísio afirmou que acompanhará as ações do governo federal e adotará providências ao alcance da administração estadual, sem, contudo, detalhar um cronograma específico.
Enquanto isso, o governo do presidente Lula já sinalizou que pretende acionar os mecanismos da Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional em 2025, que autoriza o Brasil a impor barreiras equivalentes a países que adotem medidas protecionistas contra produtos nacionais.
A decisão final sobre a retaliação ou não, no entanto, ainda aguarda definições internas do Palácio do Planalto.
Ao ser questionado sobre a atuação do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas tratativas sobre o tema, Tarcísio limitou-se a afirmar que cada país e cada liderança buscam defender seus interesses legítimos em disputas comerciais.