Sidônio Palmeira critica tarifaço dos EUA, defende governo Lula e nega imposição de sigilos
Ministro da Secom elogia atuação do Planalto nas negociações comerciais; ausência em audiências do USTR não foi comentada

O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, manifestou-se contra a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor na madrugada desta quarta-feira (22).
Em entrevista à Revista Oeste durante evento do Grupo Bandeirantes em São Paulo, o ministro classificou a medida como sem justificativa plausível e defendeu o trabalho do governo federal nas tratativas com Washington.
“Não tem nenhuma base para isso”, afirmou Sidônio sobre o tarifaço norte-americano.
O ministro destacou que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva realizou mais de 30 reuniões com interlocutores americanos para tentar reverter a sobretaxa.
No entanto, Sidônio não comentou o fato de que o Palácio do Planalto optou por não enviar representantes à série de audiências promovidas no início do mês pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), ocasião em que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve presente e pediu a suspensão das tarifas.
O chefe da Secom afirmou que as negociações prosseguem, mas ressaltou que o presidente Lula não abrirá mão da “soberania” nacional nem aceitará alterações no sistema de pagamento Pix, criado em 2020 durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro.
Sobre a postura comunicacional do chefe do Executivo, Sidônio elogiou o estilo de Lula e disse que ele “mais acerta do que erra” nesse aspecto.
Questionado sobre o gesto obsceno feito pelo presidente durante discurso oficial no Palácio do Planalto neste mês, o ministro classificou o episódio como “muito, muito pequeno”, sem, contudo, aprofundar-se no assunto.
Em outro ponto da entrevista, Sidônio Palmeira negou que o governo Lula tenha imposto sigilos a informações oficiais.
“Não tem nenhuma [informação sob sigilo]. Temos total interesse na transparência”, declarou.
A afirmação contrasta com pelo menos três ocasiões registradas neste ano em que a administração federal determinou a classificação de documentos como sigilosos:
- o parecer do veto ao Projeto de Lei da Dosimetria, em janeiro;
- as cartas enviadas a Lula, em março; e
- os processos de autorização para operação de apostas esportivas (bets), cujo sigilo de cem anos foi imposto em junho.
O ministro encerrou a entrevista reiterando a confiança do governo na continuidade das negociações comerciais com os EUA, embora não tenha detalhado novas estratégias para reverter o tarifaço além das reuniões já realizadas.