Jaques Wagner tentou vender terreno de R$ 15,8 milhões um dia após ser alvo da PF
Transação foi barrada por cartório após bloqueio de bens determinado pelo ministro André Mendonça, do STF

O senador Jaques Wagner (PT-BA) teve a tentativa de venda de um imóvel avaliado em R$ 15,8 milhões impedida por um cartório da Bahia no dia seguinte à deflagração de uma operação da Polícia Federal (PF) que o incluiu entre os alvos.
A negociação, que seria realizada com a Lagoons Empreendimentos, cujo sócio é o Grupo City, gestor do Esporte Clube Bahia, foi barrada em 19 de junho em razão de uma ordem de bloqueio de bens emitida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A decisão do ministro, que também autorizou mandados de busca e apreensão contra o parlamentar, determinou a restrição de atividades econômicas e notificou bancos, órgãos públicos e cartórios para impedir negociações financeiras em curso.
O 1º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari (BA) foi o responsável por suspender a transação. A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de São Paulo e confirmada pela CNN Brasil.
De acordo com fontes do STF, a medida de bloqueio é considerada procedimento padrão em investigações desse porte.
Documentos obtidos pela CNN indicam que o senador também tentava vender outro imóvel, avaliado em R$ 10 milhões.
Nesse caso, a escritura teria sido protocolada em cartório uma semana antes de a PF deflagrar a operação contra o parlamentar.
A defesa de Jaques Wagner nega qualquer irregularidade e afirma que a negociação do terreno de R$ 15,8 milhões teve início em 2024 e foi concluída em 2025.
Segundo os advogados, a transação foi formalizada como permuta, com pagamento antecipado de R$ 2 milhões, devidamente declarado e com imposto sobre ganho de capital recolhido em junho de 2025.
A escritura pública, acrescentam, foi lavrada em maio de 2026.
A decisão judicial que autorizou a operação contra Wagner aponta que a PF identificou “elementos indicativos de recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente, por intermédio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado”.
Os indícios mencionados incluem uso gratuito de aeronaves, estruturação de pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais.
Dias após a operação, Jaques Wagner anunciou sua saída da liderança do governo no Senado Federal, cargo que ocupava até então.
O caso segue em tramitação sob sigilo na Justiça.