PDT cogita candidatos próprios ao Senado após ser preterido em suplências
Partido alega que havia acordo prévio para indicação das vagas na coligação de esquerda em São Paulo e ameaça reavaliar apoio a Marina Silva e Simone Tebet

O PDT manifestou insatisfação formal com a definição das suplências das chapas ao Senado na coligação de esquerda em São Paulo, cogitando lançar candidaturas próprias caso sua reivindicação não seja atendida.
O descontentamento decorre da escolha do vereador Djalma Nery (Psol) como primeiro suplente da candidata Marina Silva (Rede), posição que a direção pedetista reivindicava para si.
Segundo o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, havia um entendimento prévio entre os partidos aliados de que a sigla indicaria os suplentes de Marina Silva e de Simone Tebet (PSB).
Essa compensação, na avaliação da legenda, justificava-se pelo fato de o PDT não integrar a chapa majoritária ao governo estadual, cuja vaga de vice é ocupada por Márcio França (PSB), ao lado do candidato Fernando Haddad (PT).
“Logo que saiu a chapa, eu fui a todos os candidatos e direções partidárias reivindicar ao PDT as suplências”, declarou Lupi. “Falei com Haddad, Marina e Simone.”
O dirigente questionou a distribuição das vagas sob o argumento de que a federação Rede-Psol já detém a titularidade da candidatura ao Senado com Marina Silva, e o PT, por sua vez, já ocupa o posto majoritário com Haddad.
“A federação Rede-Psol já tem a candidata a senadora, quer ter o suplente também? E o PT já tem o candidato ao governador, quer também o suplente?”, indagou Lupi, em referência a Laio Morais (PT), nomeado como suplente de Tebet.
“Pelo visto, não querem o PDT na aliança”, afirmou.
Apesar de, por ora, manter o apoio a Haddad na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, o PDT informou que reavaliará seu respaldo a Simone Tebet e Marina Silva caso o cenário permaneça inalterado.
Lupi declarou ter orientado o setor jurídico da legenda a analisar a viabilidade de registrar candidatos próprios ao Senado, mesmo dentro da atual coligação.
O presidente pedetista relatou ter procurado interlocutores das legendas envolvidas para tentar reverter a decisão, que classificou como um desprestígio à sua agremiação.
Em sua fala, ressaltou a capilaridade e a trajetória da sigla, com 46 anos de existência e presença nacional superior à de Rede, Psol e PSB, e afirmou que a repetida exclusão em escolhas estratégicas representa, em suas palavras, “humilhação demais”.
O desfecho do impasse dependerá da resposta das demais forças políticas da coligação nos próximos dias, enquanto a ameaça de lançamento de candidatos próprios permanece como alternativa em estudo pela direção do partido.