Moraes dá a Receita custódia de joias presenteadas a Bolsonaro

Decisão atendeu a pedido da Receita Federal e seguiu parecer da PGR

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (2) a transferência da custódia do conjunto de joias recebidas pela comitiva do ex-presidente Jair Bolsonaro da Arábia Saudita.

A decisão atende a um pedido da Receita Federal e acata parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), que entendeu não haver mais interesse criminal na apreensão dos itens.

Com a medida, os objetos, que estavam sob guarda em uma agência da Caixa Econômica Federal, serão encaminhados à Alfândega do Aeroporto de São Paulo.

O procedimento visa dar andamento ao processo fiscal de perdimento, com a consequente incorporação dos bens ao patrimônio da União.

Em sua decisão, Moraes destacou que a transferência é “essencial para a instrução e o regular prosseguimento do procedimento fiscal”. O ministro também determinou que a deliberação seja comunicada à Receita Federal, à Polícia Federal e à PGR.

O caso teve início em 2024, quando a Polícia Federal indiciou o ex-presidente pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação de bens públicos, em razão da tentativa de venda das joias nos Estados Unidos.

O valor estimado da operação era de cerca de R$ 6,8 milhões.

Em março deste ano, no entanto, a PGR pediu o arquivamento da investigação criminal.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, argumentou que não há legislação clara que regulamente a situação, o que inviabiliza a responsabilização penal diante de lacunas normativas e divergências interpretativas sobre o que seria lícito ou ilícito.

Gonet ressaltou, porém, que o arquivamento se limita à esfera penal, não afastando eventuais apurações nas áreas civil ou administrativa.

Também em março, o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu que presentes de uso pessoal recebidos por presidentes e vice-presidentes não integram o patrimônio público, podendo ser mantidos pelos titulares ao deixarem o cargo.

A nova decisão de Moraes, ao viabilizar a transferência das joias para a alfândega, permite que a Receita Federal conclua o procedimento de perdimento, encerrando a custódia judicial sobre os itens. 

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