Governo Lula acusa família Bolsonaro de colaborar com processo que levou ao tarifaço

Nota do Planalto atribui a taxação dos EUA a suposta "colaboração" da família; Em nota oficial, Planalto afirma que acionará a Lei da Reciprocidade e a OMC

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou, nesta quinta-feira, 16, a família Bolsonaro de ter colaborado ativamente com a investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos que resultou na imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.  

A declaração foi formalizada em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. 

No documento, o Planalto afirma que o desfecho do processo “faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro”.  

A nota classifica os integrantes da família como “falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”.  

O governo não apresentou, no entanto, provas documentais ou evidências concretas da suposta colaboração, limitando-se a citar declarações públicas e viagens políticas. 

Na semana passada, o senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), realizou uma agenda em Washington para discutir o tema tarifário com interlocutores norte-americanos.  

O objetivo declarado do parlamentar era tentar sensibilizar o governo dos EUA sobre os impactos das sobretaxas na economia brasileira e apresentar contrapontos à investigação.  

Nenhum representante oficial do atual governo federal participou das negociações em território norte-americano, o que gerou críticas da oposição à ausência do Itamaraty nas tratativas. 

No mesmo comunicado, o governo anunciou que acionará os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica (Lei 15.122/2025), que autoriza o Brasil a responder a barreiras comerciais unilaterais impostas por outros países.  

Além disso, o Brasil retomará o caso perante a Organização Mundial do Comércio (OMC).  

O Planalto declarou ainda que adotará medidas internas para reduzir os impactos das tarifas sobre os setores produtivos nacionais. 

O governo contestou a legitimidade da investigação americana, afirmando que “não há justificativa para medidas unilaterais” contra o Brasil e que as alegações dos EUA são “descabidas”.  

Segundo a nota, os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424 bilhões na balança de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos.  

O Planalto também informou que, em 2025, 76% das importações norte-americanas entraram no Brasil sem pagar imposto de importação, com alíquota média efetiva de 3%. 

O Planalto também rebateu as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para a imposição das tarifas, que incluíam críticas ao sistema de pagamentos Pix, à regulação de plataformas digitais e ao desmatamento na Amazônia.  

A nota defendeu que “o Pix é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital” e que “a liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade”.  

Sobre o desmatamento, o governo declarou tê-lo reduzido “drasticamente em todos os biomas brasileiros” desde 2023. 

O governo destacou ainda que, durante as audiências públicas do processo, “63 das 78 intervenções feitas por representantes do setor privado brasileiro e norte-americano” foram contrárias à taxação.  

O Planalto afirmou que continuará buscando novos mercados para os produtos nacionais e citou os acordos firmados recentemente pelo Mercosul com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre-Comércio e Singapura. 

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