Banco Central liquida Sefer e amplia saneamento financeiro
Autarquia age após deterioração patrimonial e violações normativas; empresa também era investigada pela PF no caso Master

O Banco Central do Brasil decretou, nesta sexta-feira (26), a liquidação extrajudicial da Sefer Investimentos Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda., sediada em São Paulo.
A medida, prevista na legislação para situações de grave desequilíbrio financeiro ou descumprimento reiterado de normas, foi tomada após a autarquia constatar a inviabilidade de recuperação da instituição pelos meios ordinários.
A decisão atinge uma empresa que também figurava no rol de investigados da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em janeiro deste ano, que apura supostas irregularidades envolvendo o Banco Master, já liquidado pelo próprio BC. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com o comunicado oficial, a Sefer apresentava “deterioração da situação financeira” e “graves violações à legislação e à regulação” que justificaram a intervenção.
A partir de agora, a empresa terá suas atividades encerradas sob supervisão do Banco Central, e seus bens, tanto os de controladores quanto os de ex-administradores, ficam indisponíveis.
Apesar da medida drástica, o BC fez questão de destacar que a Sefer tem participação diminuta no Sistema Financeiro Nacional.
Enquadrada no segmento S4, voltado a instituições de menor porte, ela representa menos de 0,0004% dos ativos totais do sistema e cerca de 0,17% dos recursos administrados de terceiros.
O órgão regulador afirmou que as investigações prosseguirão para apurar eventuais responsabilidades administrativas e criminais, e que as informações serão compartilhadas com outras esferas do poder público.
Histórico e atuação da Sefer
Fundada em 1994 e controlada pela holding Sefer Participações em Instituições Financeiras Ltda., a distribuidora atua na administração de fundos, custódia de ativos, distribuição de investimentos e gestão de recursos.
Em seu site, a empresa informa administrar U$ 22 bilhões (cerca de R$ 114,2 bilhões) e ser associada à ANBIMA desde 2005.
A entidade de autorregulação do mercado, no entanto, registra que a Sefer já foi alvo de um procedimento de apuração de irregularidades encerrado em 2017.
Relação com a Operação Compliance Zero
A Sefer foi um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga a suposta participação de fundos e corretoras em um esquema de fraudes vinculado ao Banco Master.
Na época, a empresa negou qualquer ilícito, afirmando que atua exclusivamente na gestão de recursos de terceiros e sem concessão de crédito com recursos próprios.
A distribuidora também figurou como credora no pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor, que apontava um débito de cerca de R$ 430 milhões.
A Sefer, porém, contestou publicamente esse valor e declarou não ser credora do conglomerado.