Ataque de Zema a Wagner respinga na Prefeitura de Salvador

Publicação sobre o Credcesta gerou incômodo na gestão Bruno Reis, que tenta evitar associação com o caso investigado pela PF

O pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), provocou reações no ambiente político baiano ao publicar, no último domingo (28), um vídeo em que critica duramente o senador Jaques Wagner (PT-BA). 

Embora a gravação tenha como alvo principal o ex-líder do governo no Senado, a escolha de uma imagem específica, um servidor da Prefeitura de Salvador, gerou desconforto na gestão do prefeito Bruno Reis (União), que viu no conteúdo um risco de associação indevida de sua administração ao controverso caso do cartão de benefícios Credcesta. 

O episódio ilustra a delicada geografia política da capital baiana, onde o prefeito, aliado histórico de ACM Neto, busca manter distância de escândalos que envolvem o governo estadual, comandado pelo PT. 

A preocupação nos corredores da prefeitura é que a publicação, ao utilizar a imagem de um funcionário municipal, possa confundir o eleitorado e vincular a gestão local a práticas que, na visão de críticos, representam um exemplo clássico de ineficiência e falta de transparência no trato com o dinheiro público. 

O cerne da polêmica remonta à privatização da rede Cesta do Povo, ocorrida durante a gestão de Rui Costa (PT) na Bahia. 

Na ocasião, o cartão Credcesta foi estabelecido como ferramenta exclusiva para mais de 400 mil servidores estaduais, oferecendo empréstimos consignados com desconto em folha. 

Apesar de a modalidade garantir quitação, a prática de cobrar, na contratação, apenas o valor mínimo da fatura submetia os servidores a juros rotativos que especialistas classificam como abusivos, um retrato do que defensores da economia de mercado apontam como intervenção estatal mal planejada, gerando distorções que penalizam justamente o trabalhador. 

A investigação da Polícia Federal (PF) sobre o caso já trouxe à tona mensagens trocadas entre o senador Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima, controlador do Credcesta e ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O material levanta questionamentos sobre o grau de envolvimento de figuras centrais do cenário político nacional em arranjos que, para analistas, carecem de clareza e prestação de contas. 

Diante desse cenário, a reação da Prefeitura de Salvador revela uma estratégia de blindagem: a administração municipal, que não tem relação com o caso, busca evitar que sua imagem seja manchada por um episódio que expõe fragilidades na governança de políticas públicas. 

Fontes ouvidas pelo portal Metrópoles confirmam que o incômodo é real e reflete o temor de que a associação, ainda que involuntária, possa prejudicar a percepção da gestão Bruno Reis junto ao eleitorado. 

 

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