Viana sobre operação contra Wagner: ‘CPMI do INSS começou a puxar esse fio’
Senador afirma que governistas deram um jeito de 'enterrar o colegiado', e que o 'sistema sempre encontra uma forma de se proteger'

O senador Carlos Viana (PSD-MG), que presidiu a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou gatunagem no INSS, afirmou que o colegiado já havia exposto “conexões” como as que levaram, nesta quinta-feira (18), a Polícia Federal (PF), mirar Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula (PT), no Senado.
Veja abaixo a declaração completa de Viana, publicada na rede social X, antigo Twitter:
“A CPMI do INSS começou a puxar esse fio. Levantou as provas, expôs as conexões e, quando chegou perto demais, os governistas deram um jeito de enterrar. O sistema sempre encontra uma forma de se proteger.
Mas dessa vez a investigação avançou. E avançou contra o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner, o senador do PT da Bahia, o berço do Master.
A Polícia Federal deflagrou a operação, e o nome do líder de Lula apareceu no centro do escândalo: apartamento de luxo em Salvador, voos nos jatos de Vorcaro e milhões parando na conta da família.
Dessa vez tem um homem que não recuou. O ministro André Mendonça segurou as pressões, manteve a Operação Compliance Zero de pé e impediu que blindassem o caso Master no Supremo. Onde tentaram travar, ele avançou.
E como o próprio ministro avisou: “tem mais coisa por vir.”
A Justiça pode demorar, mas vai prevalecer. A Justiça dos esquecidos. Dos aposentados roubados. De quem foi tratado como número enquanto os poderosos viajavam de jatinho.
O fio não foi cortado. E agora vai até o fim”.
O Caso
Na 9ª fase da operação Compliance Zero deflagrada nesta quinta pela Polícia Federal (PF), foram cumpridos 18 mandados, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal.
Além de busca e apreensão, foram cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte. São investigados os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
No caso de Wagner, a PF investiga se o senador Wagner teria atuado no exercício do mandato para favorecer pautas de interesse do Banco Master. Entre os pontos citados pelos investigadores estão um projeto de autoria do parlamentar que ampliava o crédito consignado e a chamada “Emenda Master”, que elevava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Em contrapartida, a Polícia Federal apura a suspeita de que o senador possa ter recebido vantagens indevidas. Uma das linhas de investigação envolve a suposta transferência de um imóvel avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões por Daniel Vorcaro Lima ao parlamentar.
Além do caso do imóvel, os investigadores também analisam repasses que somam R$ 3,5 milhões destinados à BN Financeira. A empresa pertence a Bonnie Bonilha, nora de Wagner e esposa de Eduardo Martins.