Mourão rechaça ilegalidade em ligação de Bolsonaro
Senador ter sido influenciado ou coagido por Bolsonaro

O senador e ex-vice-presidente Hamilton Mourão (Rep-RS) afirmou nesta quarta-feira (4), que nada de irregular ou ilegal ocorreu em sua última conversa com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O parlamentar também ressaltou que, em nenhum momento, sofreu ameaças ou constrangimentos antes de prestar depoimento como testemunha ao Supremo Tribunal Federal (STF), no processo que investiga a suposta tentativa de golpe de Estado em 2022.
“Em momento algum fui constrangido, ameaçado ou recebi alguma insinuação que pudesse, de alguma forma, influenciar meu depoimento que, registro, foi a expressão da verdade em cada palavra, ratificando-o integralmente”, afirmou Mourão em nota.
Ainda conforme Mourão, Bolsonaro entrou em contato com ele dias antes do depoimento.
“O ex-presidente entrou em contato comigo, dias antes da data marcada pelo STF, me consultando se concordaria em depor como testemunha de defesa e se, na data designada pela Corte, seria possível. Esclareceu que fazia esse contato, tendo em vista que — de maneira excepcional — o Ministro Relator do processo não iria expedir intimações às testemunhas indicadas pelas defesas, cabendo a estas, então, contatá-las e pedir a gentileza de prestarem depoimento”.
Nesta terça-feira (3), o ministro Alexandre de Moraes, determinou que a Polícia Federal (PF) tome o depoimento de Hamilton Mourão sobre sua conversa com Bolsonaro, em um prazo de 15 dias.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou indícios de que o senador pode ter sido influenciado e coagido pelo ex-presidente em seu depoimento ao STF.
Veja abaixo a nota completa de Mourão, onde ele desmente essa acusação:
Comunicado à imprensa
“1.Tomei conhecimento, a partir de diversas matérias veiculadas na imprensa, de que, atendendo a requerimento da Procuradoria-Geral da República, em representação formulada pelo Deputado Federal Lindbergh Farias, o Ministro Alexandre de Moraes determinou a tomada de minhas declarações, a fim de apurar alguma irregularidade no depoimento que prestei como testemunha de defesa do ex-Presidente Jair Bolsonaro.
2.Tenho a esclarecer que nada de irregular ou ilegal ocorreu.
3.O ex-Presidente entrou em contato comigo, dias antes da data marcada pelo STF, me consultando se concordaria em depor como testemunha de defesa e se, na data designada pela Corte, seria possível. Esclareceu que fazia esse contato, tendo em vista que — de maneira excepcional — o Ministro Relator do processo não iria expedir intimações às testemunhas indicadas pelas defesas, cabendo a estas, então, contatá-las e pedir a gentileza de prestarem depoimento.
4.Concordei com o pedido do ex-Presidente, e passei a perguntar-lhe sobre seu estado de saúde, visto que se recuperava de recente cirurgia.
5.Em momento algum fui constrangido, ameaçado ou recebi alguma insinuação que pudesse, de alguma forma, influenciar meu depoimento que, registro, foi a expressão da verdade em cada palavra, ratificando-o integralmente.”