Damares: ‘O BRB não é mais um problema só do DF, ele é um problema do Brasil’
Senadora cobra explicações sobre o plano de recuperação e os riscos para o Distrito Federal

A senadora Damares Alves (Rep-DF) cobrou, nesta terça-feira (9), durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, esclarecimentos sobre o plano de reestruturação do Banco de Brasília (BRB).
Durante o debate, a parlamentar demonstrou preocupação com os possíveis impactos da crise para os servidores públicos, a população do Distrito Federal e a manutenção de programas sociais financiados pela instituição.
“O BRB não é mais um problema só do DF, ele é um problema do Brasil”, afirmou. Segundo a senadora, a situação do banco pode afetar inclusive depósitos judiciais vinculados a tribunais de diferentes estados. Damares ressaltou que sua principal preocupação, neste momento, é assegurar a estabilidade da instituição e a proteção dos cidadãos, deixando em segundo plano a apuração de eventuais irregularidades passadas.
A senadora também questionou a origem do plano de recuperação apresentado. “A proposta nasceu dentro do BRB ou a proposta nasceu dentro do governo do Distrito Federal?”, perguntou.
Outro ponto levantado por Damares foi o tamanho do déficit que levou à elaboração do plano. “Qual é o valor do rombo? (…) Nós temos uma sopa de números que a gente não consegue entender”, declarou.
A parlamentar ainda buscou esclarecimentos sobre as garantias que serão utilizadas para viabilizar a recuperação da instituição. Ela questionou se o Fundo Constitucional do Distrito Federal estaria sendo “colocado na mesa” como garantia e se o plano poderá resultar na suspensão de concursos públicos e reajustes salariais para servidores do DF.
“Quais patrimônios nossos realmente serão comprometidos nesse plano de reconstrução?”, indagou.
Damares também demonstrou preocupação com os reflexos da crise sobre mais de 30 programas sociais apoiados pelo banco e rejeitou a hipótese de liquidação da instituição. “Esse é um patrimônio nosso, nós temos que lutar por este patrimônio. Mas qual é o preço dessa luta, presidente?”, questionou.
Presente à audiência, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, respondeu a questionamentos sobre a relação da instituição com o Banco Master. Segundo ele, entre 2024 e outubro de 2025, o volume de transações entre os dois bancos alcançou R$ 30 bilhões.
Ao explicar a necessidade de um aporte de R$ 8,8 bilhões para a recuperação do BRB, Souza informou que o cálculo considera os R$ 21,9 bilhões em ativos da instituição e a necessidade de provisionamento para possíveis perdas. De acordo com o executivo, a estimativa de perdas em ativos soma R$ 2,6 bilhões.
“Mas não é só isso. Existem outros ativos frágeis que nós já, na análise que fizemos, chegam a esse R$ 8,8 bilhões”, afirmou.
O presidente do banco informou ainda que o plano prevê a obtenção de R$ 6,6 bilhões em empréstimos junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e outros R$ 2,2 bilhões por meio da securitização de dívidas do Governo do Distrito Federal.
A audiência contou com a participação de Nelson Antônio de Souza e ocorreu após a criação, no Senado, de um grupo de trabalho destinado a acompanhar as investigações sobre supostas fraudes envolvendo o Banco Master, que teriam produzido reflexos sobre o BRB.