Após 8 meses de investigação, Ibaneis destaca decisões para blindar o BRB

Ele contratou até auditoria internacional para devassar antiga gestão e nomeou experiente gestor para o BRB

Quase oito meses depois de iniciadas as investigações sobre as negociações de venda de ativos do Banco Master ao BRB, o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) segue demonstrando uma tranquilidade desconcertante para os opositores que apostavam no seu envolvimento. Aliados próximo garantem que Ibaneis foi vítima de traição e do seu estilo de confiar inteiramente nos auxiliares, aos quais sempre delegou todas as decisões para a obtenção de melhores resultados na gestão pública.

Esses aliados, entre os quais deputados distritais e federais, lembram sempre que quando a Operação Compliance Zero escancarou a fraude bilionária no BRB, no final de 2025, o então governador Ibaneis Rocha em vez de ganhar tempo ou minimizar os danos, ele agiu rápido: 72 horas após a ação da Polícia Federal, demitiu Paulo Henrique Costa e o substituiu na presidência do banco por Nelson de Souza, experiente executivo do mercado financeiro.

Na manhã de 18 de novembro de 2025, a PF trouxe a público o que acontecia nos bastidores da gestão afastada: a compra de R$12,2 bilhões em carteiras fictícias do Banco Master. Após o afastamento de Costa, Ibaneis tomou sua primeira e mais importante decisão para blindar o BRB e proteger o erário: determinou uma investigação independente por meio do escritório Machado Meyer e da consultoria internacional Kroll.

O resultado da devassa, exposto em relatórios, mostrou as entranhas do esquema, identificando cerca de 60 funcionários e dirigentes envolvidos na fraude e rastreando R$146,5 milhões em imóveis pagos como propina ao ex-presidente do banco. Ibaneis tem dito que a contratação da Kroll, experiente no rastreamento de fraudes financeiras, garantiu que a sujeira não ficasse debaixo do tapete.

Ibaneis Rocha ao convidar Nelson Souza para presidir o BRB.

Reconstrução da confiança

Tão importante quanto limpar a casa, recordou o ex-governador em conversa com parlamentares, era garantir que alguém experiente para iniciar o processo de recuperação e de reconstrução de confiança no banco, e o nome escolhido foi Nelson de Souza.

Com mais de 45 anos de experiência no mercado financeiro e currículo que inclui a presidência da Caixa Econômica Federal (que em sua gestão registrou o maior lucro da sua história) e do Banco do Nordeste, Nelson foi a primeira opção de Ibaneis em 2019, mas não pôde assumir à época porque havia recebido convite do governo de São Paulo para presidir sua agência de desenvolvimento.

“O Nelson foi presidente da Caixa quando ela deu o maior lucro da sua história. Foi também presidente do Banco Nordeste quando passou por uma de suas maiores crises. Tenho convicção de que ele vai conduzir as apurações e esclarecer tudo para a população”, afirmou Ibaneis, delegando ao novo executivo a missão de arrumar a casa.

Sete dias após a indicação, Nelson de Souza foi sabatinado e aprovado sem dificuldades pela Câmara Legislativa do DF (CLDF) e, no dia seguinte, o Banco Central chancelou sua escolha, em cumprimento da legislação.

Em 28 de novembro de 2025, dez dias após o estouro da crise, Ibaneis deu posse simbólica a Nelson no Palácio do Buriti, selando um pacto de autonomia. “O Nelson tem total liberdade para montar o seu conselho, a sua diretoria. Ele tem todo o meu apoio para o que precisar”, declarou na ocasião.

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