Guilherme Campos chama plano dos Correios de ‘morte assistida’
Ex-presidente da empresa critica recuperação baseada em cortes e endividamento de R$ 20 bi, enquanto estatal acumula prejuízo recorde

O ex-presidente dos Correios Guilherme Campos classificou como “morte assistida” o plano de recuperação aprovado pela atual gestão, que prevê a contratação de R$ 20 bilhões em empréstimos com aval do Tesouro Nacional. As declarações foram dadas em entrevistas publicadas pela imprensa, com dados oficiais fornecidos pela estatal.
Campos, que comandou a empresa entre 2016 e 2018, afirma que o plano liderado por Emmanoel Rondon foca apenas em cortes — como um novo PDV e revisão do plano de saúde — sem estratégia clara de aumento de receitas. Para ele, a estatal corre risco de caminhar para um fechamento futuro caso se apoie apenas em endividamento de longo prazo.
A crise financeira é a mais grave da história dos Correios. No primeiro semestre de 2025, o prejuízo atingiu R$ 4,36 bilhões, salto de 222% sobre o mesmo período de 2024. Desde 2022, os resultados anuais vêm sendo negativos, revertendo os lucros registrados na pandemia.
O plano de recuperação prevê três fases — recuperação, consolidação e crescimento — com promessa de modernização operacional, recomposição da relação com fornecedores e garantia de liquidez até 2026.
Campos atribui parte do colapso à falta de preparo das gestões após sua saída, criticando indicações políticas sem experiência em administração e a demora em adaptar a estatal às mudanças do setor de logística, marcado por forte avanço da concorrência privada.
Ele defende que os Correios busquem novos modelos de negócio, como parcerias com empresas aéreas e soluções de varejo, seguindo exemplos internacionais como o Deutsche Post e o correio japonês, que diversificaram atividades para sobreviver.
O governo federal elevou nesta semana a projeção de déficit das estatais em 2025 de R$ 5,5 bilhões para R$ 9,2 bilhões, com possibilidade de impacto ainda maior, segundo o Ministério da Fazenda.
(Fonte: Correios)