Suspeita de mesada de meio milhão a Ciro eleva propina a padrão Master
Senador presidente nacional do PP é alvo de nova fase da Operação Compliance Zero

A suspeita de que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) teria recebido mesadas de R$ 300 mil a R$ 500 mil como propina do Banco Master é o motivo principal da nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (7). Os indícios, se comprovados, elevam em até 1670% o patamar da corrupção que escandalizou o Brasil, há cerca de duas décadas, quando o primeiro governo de Lula (PT) foi acusado de pagar um mensalão de R$ 30 mil a cerca de 80 deputados do PP e do antigo PL. Ciro nega iliegalidades.
A decisão judicial do ministro André Mendonça cita diálogos entre o banqueiro preso Daniel Vorcaro e seu primo que também foi preso hoje, Felipe Vorcaro, sobre o novo padrão Master da propina mensal no Brasil. Na conversa, o ex-dono do banco liquidado pela maior fraude financeira da história do País pergunta: “Cara eu no meio dessa guerra atrasou dois meses ciro? [sic]”. E seu primo responde: “Vou ver se dou um jeito aqui.. Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”, questiona, Felipe, em relação aos valores.
A Polícia Federal investiga indícios de que os pagamentos e outras vantagens para o senador seriam propina pelo uso do mandato de Ciro Nogueira para atender interesses de Vorcaro. A principal ação parlamentar seria a apresentação de uma emenda do senador, redigida pela assessoria do Master, em 13 de agosto de 2024, para que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 65/2026 ampliasse de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para ressarcimento por pessoa.
O objetivo, não concluído via PEC, seria ampliar os negócios ilegais que levaram o Banco Central a liquidar o Master, em novembro de 2025.
Além da mesada, o relatório da PF enviado ao ministro Mendonça relatou diálogos sobre Daniel Vorcaro autorizar pagamentos de restaurantes, cartão e viagem internacional para o senador, bem como do uso de um imóvel sem custos.
Ciro Nogueira está sendo alvo de mandado de busca e apreensão em seu apartamento, em Brasília, é presidente nacional do Partido Progressistas (PP) e foi ministro da Casa Civil do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). E é o primeiro integrante do Congresso Nacional formalmente investigado no Caso Master, cujo banqueiro Daniel Vorcaro tenta firmar uma delação premiada que pode revelar mais detalhes sobre outros integrantes da cúpula dos Três Poderes da República.
Até a última atualização desta matéria, Ciro Nogueira não se manifestou sobre a operação desta quinta.