STF estende inquérito de ex-ministro de Lula acusado de assediar ministra
Ministro André Mendonça acatou pedido da defesa de Silvio Almeida para PF ouvir novas testemunhas

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, decidiu voltar a ampliar o prazo do inquérito que investiga o ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida pela suspeita de crime de importunação sexual contra a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Relator do caso de escândalo sexual derrubou Almeida do governo Lula (PT), em setembro de 2024, Mendonça acatou pedido da defesa do ex-ministro para que a Polícia Federal ouça depoimentos de novas testemunhas.
A segunda prorrogação da investigação neste ano de 2025 deve estender o inquérito até maio, quando o relatório final será concluído com grandes chances de indiciar o ex-ministro de Lula. Em fevereiro, André Mendonça atendeu pedido da PF por mais prazo
A investigação tomou depoimento de Anielle Franco em outubro de 2024. E o processo tramita no STF porque o ministro André Mendonça entendeu que a prerrogativa de foro atraiu o inquérito pelo fato de as acusações terem relação com o momento em que Almeida estava no cargo de ministro.
Denúncia e defesa
O ex-ministro foi acusado da importunação sexual em setembro de 2024 pela organização Me Too, que atua na proteção de mulheres vítimas de violência. A ONG relatou ter acolhido mulheres que denunciaram assédio sexual por parte do então ministro, que é professor e advogado.
Silvio Almeida já afirmou que repudia “com absoluta veemência” as denúncias, que chamou de “mentiras” e “ilações absurdas” disseminadas com o objetivo de prejudicá-lo. E, há dois dias, o ex-ministro voltou às redes sociais para pedir Justiça e anunciar seu retorno ao trabalho, escrevendo e revisando livros e debatendo em seu canal no YouTube.
“Eu estou vivo, continuo indignado e não quero compaixão e nem ‘segunda chance’. Eu quero justiça. Tentaram me matar. Mas não deu certo […] E se morto levanta, acabou o velório. Nestes últimos meses, tentaram me fazer esquecer quem eu realmente sou, quem eu fui e quem eu sempre quis ser. Tentaram apagar trinta anos de trabalho sério, de dedicação e de muita renúncia”, escreveu Almeida sobre as acusações.
No fim de março, a ministra do STF, Cármen Lúcia, cobrou que o ex-ministro Silvio Almeida explicasse a acusação que ele fez contra organização não governamental Me Too Brasil, após esta entidade expor denúncias de assédio sexual que o derrubaram do cargo no governo de Lula. A intimação resultou da queixa-crime por difamação apresentada pela ONG, após o Ministério dos Direitos Humanos (MDH) reagir ao escândalo sexual envolvendo seu então ministro, acusando a Mee Too Brasil e sua advogada e diretora-presidente, Marina Ganzarolli, de tentarem interferir em licitações do Disque 100, canal do governo para denúncias de violações aos direitos humanos.