PF investiga Pablo Marçal por crimes em doações para campanha de 2022
Membro do PROS que tentou disputar Presidência da República é suspeito de doações milionárias para favorecer próprio grupo empresarial

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (5), no interior de São Paulo, a Operação Ciclo Fechado, com o objetivo de buscar provas da suspeita do cometimento de crimes envolvendo lavagem de dinheiro através de doações milionárias para as campanhas do coach Pablo Marçal (PROS), em 2022. Os indícios apontam que parte dos mais de R$ 2,1 milhões doados às campanhas de Marçal acabaram favorecendo para suas próprias empresas. Marçal reagiu afirmando ser “perseguido político”, por ter apoiado o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Os mandados de busca e apreensão são cumpridos nas residências do empresário que tentou disputar a Presidência da República e acabou sendo candidato a deputado federal, bem como de seu sócio Marcos Paulo de Oliveira, nos municípios de Barueri e Santana de Parnaíba.
A PF apura suposta falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita eleitoral e lavagem de capitais. E tem como objeto de investigação as doações de Marçal e Marcos Paulo que somam R$ 1,427 milhão, para campanha presidencial do coach; e R$ 758 mil para sua campanha a deputado federal, que disputou sub judice.
A prestação de contas oficial do gastos da campanha da candidatura presidencial do coach registra pagamento de R$288.720,00 à Marçal Participações LTDA e R$112.280,00 à Aviation Participações, empresas que teriam Pablo Marçal e Marcos Paulo como sócios.
‘Perseguição’ por apoio a Bolsonaro
Por meio do Twitter, Pablo Marçal confirmou que a PF fez busca e apreensão em sete endereços, inclusive de sua casa, de três empresas, de dois sócios e de um advogado. Ele afirmou ser um “perseguido político” por ser bolsonarista, ao alegar que “não acharam nenhuma irregularidade”.
“Trata-se de uma investigação eleitoral sobre as doações lícitas que movimentamos para usar as aeronaves e veículos de propriedade empresarial do grupo societário que faço parte com o escopo eleitoral. Quero ressaltar que a perseguição política engendrada contra a minha pessoa é fruto do pacote que todos estão sofrendo por terem apoiado o presidente Bolsonaro”, reagiu, citando o ex-presidente.
“Claramente existe uma tentativa de silenciar as vozes daqueles que defendem a liberdade nessa nação. Coloco tudo à disposição e acredito que a Justiça Eleitoral usará da firmeza da lei para cessar essa revolta instaurada sobre mim”, disse Marçal.
O Diário do Poder não conseguiu contato com outros investigados, e mantém o espaço aberto para os seus esclarecimentos.
Agora, oficialmente sou declarado um perseguido político no Brasil. Cancelaram a minha candidatura a presidente em 2022 de forma equivocada e roubaram a minha eleição legítima com quase 250 mil votos para deputado federal por São Paulo.
Não fui acordado pela PF hoje, pic.twitter.com/YINzbg55cb
— Pablo Marçal (@pablomarcal) July 5, 2023