Moraes expõe vídeo do 8/1 e conclui: ‘Tentativa de golpe violentíssimo’
Ministro relator vota no STF defendendo ligação de denunciados a eventos violentos que pediam intervenção militar e golpe

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu, nesta quarta-feira (26), que há indícios mínimos e razoáveis de autoria de crimes apontados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) que possibilitam tornar réus o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) mais sete ex-ministros e militares de seu governo, acusados de suposta tentativa de golpe de Estado contra a eleição do presidente Lula (PT). E exibiu exibiu vídeos com atos de violência cometidos antes e durante os ataques aos Três Poderes da República, no 8 de Janeiro de 2023, ao votar como relator do caso, pelo recebimento da denúncia na Primeira Turma do Supremo.
Moares defendeu que houve uma “tentativa de golpe violentíssimo”, com a materialização dos crimes mediante violência ou grave ameaça, ao exibir vídeo de cinco minutos com ataques no dia da diplomação de Lula, com carros e ônibus incendiados em Brasília, em 12 de dezembro de 2022; a tentativa de explodir um caminhão tanque na véspera do natal daquele ano; e a destruição das sedes do STF, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto, no 8 de Janeiro.
Assim como narrou em condenações de mais de 500 réus que confessaram protestar por um golpe, Moraes ressaltou que não houve um “domingo no parque” nos protestos que tentavam golpe no 8/1. Citando e mostrando que houve necessidade de romper as barreiras policiais, algumas delas abertas, mas com vários policiais se insurgindo sendo agredidos. E destacou que o símbolo da violência foi uma policial militar cujo capacete foi arrebentado com uma barra de ferro.
“Em cinco minutos do vídeo a materialidade do crime fica comprovada , porque exige violência ou grave ameaça. Aqueles que se esqueceram, de boa ou má fé, que houve gravíssima violência contra pessoa, vão se recordar agora. Há policial retirado de seu cavalo e agredido covardemente, tivemos nossos policiais feridos gravemente. Absurdo de uma violência programada. Nenhuma bíblia é vista e nenhum batom é visto nesse momento. É bom lembrar que tivemos tentativa de golpe de Estado violentíssimo. Fogo, destruição ao patrimônio público, dano qualificado… Uma violência selvagem, incivilidade total, com pedido de intervenção militar com golpe de Estado”, conclui Moraes, enquanto exibia as imagens.
Moraes reage às críticas das defesas de Bolsonaro sobre a suposta falta de poder ofensivo de pessoas idosas com bíblia na mão nos atos de 8 de Janeiro, bem como da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, que participou dos ataques de 8 de janeiro e “pichou” com batom a estátua da Justiça, em frente ao STF, escrevendo “Perdeu, mané”. Com julgamento suspenso, Débora tem votos de dois ministros pela condenação de 14 anos de prisão e uma multa de R$ 30 milhões, pena que vem sendo criticada como desproporcional.
Veja:
O ministro concordou com a ligação que a PGR atribui entre os atos violentos e os denunciados. E concluiu que a peça acusatória do chefe do Ministério Público, Paulo Gonet, apresenta indícios mínimos e razoáveis de autoria de crimes que possibilitam o recebimento da denúncia contra Bolsonaro e outros sete acusados.
Além de Moraes, devem votar hoje os ministros Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do Supremo, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Luiz Fux.
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