Maternidade reabre sob calote do governo de AL, após apoio de JHC

Santa Casa ainda cobra R$ 4,4 milhões do governador Paulo Dantas, mas prefeito de Maceió garantiu apoio para retomada de partos

O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o “JHC” (PL), anunciou hoje (4) que garantiu o apoio do município para a reabertura da maternidade do hospital Santa Casa Nossa Senhora da Guia, na manhã da próxima sexta-feira (6), ainda sob um calote de R$ 4,4 milhões mantido pelo governo de Alagoas.

A unidade responsável por 27% dos partos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na capital de Alagoas fechou suas portas em 23 de maio. E o governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB), mantém para o dia 16 a reunião pela negociar a dívida que motivou a suspensão o atendimento às mães e bebês de todo o estado no hospital.

“Determinei apoio integral da Prefeitura de Maceió para a reabertura da Maternidade Nossa Senhora da Guia. A unidade volta a funcionar nesta sexta (06), às 7h. Atuamos com compromisso e responsabilidade pra garantir atendimento digno a quem mais precisa”, informou JHC, nas suas redes sociais.

A postura proativa do prefeito contrasta com a inércia do governador afilhado do senador Renan Calheiros (MDB), que contesta o montante milionário cobrado há quase três anos pela Santa Casa de Misericórdia de Maceió. Os repasses devidos entre setembro de 2022 a março de 2025 são incentivos financeiros decorrentes do Programa de Fortalecimento da Rede Materna e Infantil (PROMATER).

Sem dar detalhes, a Secretaria da Saúde de Alagoas (Sesau) aponta “irregularidades” que impediriam a liquidação do débito relativo ao funcionamento de 35 leitos de maternidade e outros dez da Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) Neonatal.

Prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC. Foto: Itawi Albuquerque/Secom Maceió

Alívio

Em comunicado publicado nesta quarta-feira (4), a Santa Casa de Misericórdia de Maceió atribuiu a reabertura dos serviços de obstetrícia pela instituição filantrópica a “um pedido direto do prefeito JHC, em diálogo com a Secretaria Municipal de Saúde”.

“A decisão representa um alívio para a rede de saúde pública, especialmente no atendimento materno-infantil. A Santa Casa de Maceió informa, ainda, que está agendada para o dia 16 de junho uma reunião com representantes da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas. O objetivo do encontro é buscar a regularização de pendências financeiras que o governo estadual mantém com o hospital frutos do incentivo PROMATER. A instituição agradece o apoio da população, de entidades representativas e da opinião pública, ressaltando a importância da maternidade para a assistência obstétrica no SUS em Alagoas”, diz o trecho final do comunicado.

Desde que iniciou a realização de partos, em 2009, até março deste ano de 2025, a maternidade da Nossa Senhora da Guia realizou quase 80 mil nascimentos, o que supera a população da quarta cidade mais populosa de Alagoas, Palmeira dos Índios. Foram 4.221 partos somente em 2024. E a média mensal é de 351 partos para alagoanas que não podem pagar pelos altos custos de partos particulares ou via planos de saúde.

A pasta da Saúde de Paulo Dantas preferiu mobilizar uma força-tarefa para reorganizar a Rede Materno-Infantil, redistribuindo 35 novos leitos e prometendo mais 27 no Hospital Veredas, que vive intervenção da Justiça Federal. Tudo isso alegando “compromisso de acolher a mulher no seu momento mais especial de vida sem causar qualquer tipo de transtorno para o parto”.

 

 

 

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