Lira levará ministro a Maceió para apoiar turismo afetado pela Braskem
Presidente da Câmara quer garantir apoio da pasta do Turismo do governo Lula ao setor que sustenta a capital de Alagoas

Em meio ao maior desastre socioambiental em andamento no planeta, que destruiu cinco bairros de Maceió, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), convenceu o ministro do Turismo, Celso Sabino, e o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, a visitar a capital alagoana, na manhã de sábado (16), para assegurar apoio ao setor turístico e comercial. A visita é parte do esforço de Lira de defender que Maceió não pode ter sua imagem e potencial turístico afetados por irresponsabilidades e declarações sobre o desastre causado pela mineração da Braskem, em áreas distantes do roteiro turístico.
Lira promoverá um evento no Hotel Jatiúca, reunindo as autoridades nacionais do setor com o trade turístico e empresários locais, confrontando os alardes e conflitos políticos causados pelo processo de colapso de uma das 35 minas de extração de sal-gema na margem da Lagoa Mundaú, rompida no último domingo (10).
O presidente da Câmara quer que o ministro Sabino e Freixo reforcem o apoio e o compromisso com o segmento de hotéis, pousadas, bares, restaurantes, comércio e empreendimentos ligados ao setor turístico, vital para a economia de Alagoas e de sua capital.
O foco central do evento é destacar que há solidez e segurança para turistas seguirem visitando a capital, que vive uma tragédia geológica localizadas em áreas já isoladas e monitoradas, fora dos roteiros turísticos mais atrativos de Maceió.
“Ao longo dos últimos dias, segmentos como o turístico trabalharam uma série de ações com o objetivo de bem informar turistas e sensibilizar o poder público estadual acerca da importância destes segmentos para Alagoas”, destaca material de divulgação enviado pela assessoria de Arthur Lira, que critica o governo de Paulo Dantas, adversário político do presidente da Câmara e afilhado e partidário do senador Renan Calheiros (MDB-AL).
Desastre atinge solo do bairro do Pinheiro e mais quatro bairros, desde 2018. Foto: Marco Antônio/Secom Maceió/Arquivo
Angústia antiga
Apesar da repercussão nacional e internacional do rompimento da mina 18 da Braskem, nas últimas semanas, a crise causada pela Braskem ocorre desde março de 2018, quando um terremoto de 2,5 graus na escala Richter sacudiu a vida dos maceioenses, a partir do qual forçou a evacuação de 60 mil pessoas dos bairros do Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e parte do Farol.
“Esse problema é uma angústia alagoana e maceioense há três ou quatro anos. A responsabilização da Salgema é clara. Eu digo antiga Salgema, atual Braskem. [A empresa] já fez uma composição de indenização a todos os moradores, indenizou a prefeitura. O que não podemos fazer agora é politizar esse tema. É trazer esse tema para uma disputa política local, para transformá-la em nacional”, disse Lira, em recente crítica à repercussão do caso na imagem de Maceió.
O Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) emitiu laudo conclusivo, em maio de 2019, descartando causas naturais para o fenômeno de afundamento do solo na área urbana explorada pela Braskem por cerca de 40 anos.
O encontro promovido por Lira inicia às 9h30 de sábado, com a presença de entidades e empresários ligados ao setor turístico e de comércio do estado, além de autoridades da área.