Jorginho Mello vai à PGR contra Lula por xenofobia em Santa Catarina

Presidente ofendeu catarinenses e citou Hitler para apontar 'hegemonia branca' e racismo no

A Procuradoria-Geral da República (PGR) será acionada nesta segunda-feira (29) pelo governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), para investigar se o presidente Lula (PT) cometeu crime de xenofobia contra os catarinenses, ao discursar em Itajaí, na sexta-feira (26). Na ocasião, o petista atacou o governador e reforçou uma acusação de “hegemonia branca” e racismo contra catarinenses.

O governador considerou que o discurso de Lula superou o mero debate político, ao atacar a honra dos catarinenses com uma insinuação do presidente de que a população de Santa Catarina seria formada por racistas que se achariam superiores aos demais brasileiros.

“Uma coisa é o presidente me criticar ou vir a Santa Catarina dizer coisas que não condizem com a realidade. Isso faz parte do debate político e nós respondemos com fatos. Outra coisa, muito diferente, é chamar o povo catarinense de racista. Isso é criminoso, preconceituoso e ele precisa responder por isso”, disse Jorginho Mello.

O governador refutou a acusação de racismo feita por Lula, citando que Santa Catarina recebeu mais de 500 mil novos moradores, entre 2017 e 2022, sendo o estado que mais acolheu pessoas de outros estados na última década.

“Se aqui fosse esse lugar de preconceito que ele tentou pintar, por que tanta gente escolheria Santa Catarina para viver, trabalhar, criar seus filhos e fugir da violência e da desigualdade?”, questionou Jorginho Mello.

O Código Penal do Brasil pode tratar xenofobia como crimes de racismo ou injúria racial, quando discriminação, xingamento ou ofensa à honra atinge pessoa específica em razão de sua origem regional, nacionalidade ou etnia. E as penas variam de 1 a 5 anos de reclusão, mais multa.

Presidente Lula visitou Itajaí e generalizou críticas sobre racismo, em Santa Catarina. (Foto Ricardo Stuckert/PR)

Ataque em reduto de opositores

Em Itajaí, o ataque de Lula questionado por Jorginho Mello fazia referência à tentativa frustrada do governador de extinguir cotas raciais nas universidades de Santa Catarina, em legislação anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No Estado que rejeita Lula e o PT nas urnas há 20 anos, o presidente sugeriu que catarinenses não gostam dele porque o povo negro está na universidade na mesma proporção que o branco

“Não tem o cara porque é branco que é melhor do que o que é negro. O cara que é nordestino é pior do que o do Sul do País. Que história que é essa? A gente não aceita. Hitler tentou fazer isso e acabou do jeito que acabou. A gente não pode permitir essa essa ideia da hegemonia branca sobre o restante do país. […] Isso não é hegemonia branca, é hegemonia da ignorância”, disparou Lula, em evento restrito à imprensa e, segundo ele mesmo, “alguns amigos do lado”.

Lula lida com a escassez de apoiadores de esquerda em Santa Catarina muito antes de Jorginho Mello se tornar governador com apoio do rival do petista, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2022. No Estado, o PT teve sua primeira e última vitória, em 2002, no primeiro mandato presidencial petista contra José Serra (PSDB).

 

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