Gastos de Michelle em dinheiro são ‘absolutamente pífios’, afirma defesa

Advogados justificam que despesas envolvem recursos do presidente e pequenos fornecedores e fornecedores informais

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) classificou como “absolutamente pífios” os valores de transações em dinheiro vivo para pagar despesas da ex-primeira-dama Michelle, identificadas pela Polícia Federal e operacionalizadas pelo tenente-coronel Mauro Cid, quando atuava como ajudante de ordens do ex-chefe do Palácio do Planalto. Em entrevista coletiva na noite de ontem (15), o advogado Fábio Wajngarten expôs a planilha dos gastos pessoais do ex-presidente nos quatro anos de seu mandato.

“O que está se falando aqui é sobre transações do dia a dia de manutenção da família do presidente, até porque os valores envolvidos são absolutamente pífios”, afirmou Wajngarten.

A defesa de Michelle ressaltou que o diálogo revelado pela imprensa entre assessoras da ex-primeira-dama tratava do pagamento de R$ 348, em dinheiro vivo que foi sacado da conta pessoal do então presidente Bolsonaro pelo tenente-coronel Mauro Cid.

“Ele mesmo [Cid] sacava na boca do caixa da conta do presidente. Sempre custos pessoais. Havia uma contínua preocupação com fraude na conta do presidente, com depósitos escusos. Sempre houve essa preocupação do presidente para protegê-lo de fraudes bancárias”, explicou a defesa de Michelle.

Blindagem contra ataques

Wajngarten argumentou que tais pagamentos de despesas pessoais de Bolsonaro, Michelle e da filha Laura tinham como destinatários pequenos fornecedores ou fornecedores informais sem CNPJ. E que eram feitos em espécie para preservar o então presidente de qualquer tipo de ataque.

“Uma compra de pizza, uma conta na farmácia, de manicure, uma prestação de serviço pequena… Era pago em dinheiro para que não se expusesse o tomador do serviço, no caso, a primeira-dama, as filhas ou o próprio presidente. Além disso, temos o problema de proteção de segurança em caso de compras de alimentos e supermercados para proteger contra qualquer tipo de ataque ou envenenamento”, argumentou o assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O advogado informou à imprensa que um perito criminal será contratado para demonstrar que não há “desajuste entre entradas e saídas de recursos”.

Investigação

A PF investiga o motivo de Michelle Bolsonaro ter usado cartão de crédito vinculado à conta de Rosimary Cardoso Cordeiro, sua amiga que é assessora no Senado. E detectou depósitos em dinheiro vivo para esta intermediária, por meio da quebra de sigilo bancário de Mauro Cid e funcionários do Planalto.

Além disso, a PF investiga o montante de R$ 8,6 mil em depósitos em dinheiro vivo para Michelle Bolsonaro, por meio de método similar a casos de “rachadinha”, fracionando pequenos valores para não alertar órgãos de controle.

Em nota enviada ao UOL Notícias, Wajngarten afirma que o único objetivo de todos os envolvidos na divulgação das investigações é o de tentar macular a imagem do ex-presidente da República, por meio do aparecimento de novas ‘evidências’ e da suspeição permanente. “Na falta de fatos concretos, como a devolução de bilhões de reais, como ocorreu na Petrobras, tenta-se criar um escândalo com despesas corriqueiras. A verdade prevalecerá”, concluiu.

 

Sair da versão mobile