CNJ investiga nomeação de ex-assessor que denunciou Moraes

Intimação da Corregedoria do CNJ levou juíza a recuar da nomeação de Tagliaferro como perito em ação contra banco no Paraná

O ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro, teve revogada, nesta quinta-feira (11), sua designação como perito em processo cível da Vara Cível de Astorga (PR), após o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) intimar a juíza responsável pelo ato. Tagliaferro comandou o setor de Enfrentamento à Desinformação do TSE, nas eleições de 2022, e acusou o ministro Alexandre de Moraes de abusos contra a candidatura de reeleição do então presidente Jair Bolsonaro (PL).

Por meio de nota publicada ontem, o corregedor Nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, disse que Corregedoria do CNJ tomou as devidas providências ao tomar conhecimento da nomeação de Tagliaferro, que vive na Itália e é réu em ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) na denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) por vazar informações sigilosas da época em que assessorava o Moraes na Presidência do TSE.

Campbell informou que foi instaurado Pedido de Providências, com a intimação da magistrada responsável pela indicação e da Corregedoria do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR), para prestação de informações no prazo de cinco dias.

“A magistrada determinou, nesta quinta-feira (11/7), a revogação da designação de Eduardo Tagliaferro. A Corregedoria Nacional de Justiça reafirma seu compromisso com a higidez da atividade jurisdicional e com a observância dos padrões éticos e legais que regem a atuação dos auxiliares da Justiça, acompanhando o caso com a devida atenção institucional”, diz a nota da Corregedoria do CNJ.

‘Moraes me proibiu’

Ontem, Tagliaferro minimizou a repercussão do caso revelado pelo site Metrópoles. Disse sequer acompanhar a nomeação no Tribunal de Justiça do Parana (TJPR), que classificou como tema “desnecessário e pequeno”. E propôs ser procurado para apresentar provas contra Moraes.

“Eu não posso trabalhar no Brasil. Moraes me proibiu. Eu não tenho mais conta corrente. Então não tenho como receber. Se eu não tenho como receber, logo que eu não vou trabalhar”, reagiu Tagliaferro, nas redes sociais

 

Sair da versão mobile