Cepik nega risco da Abin obstruir devassa da ‘vigilância’ sob Ramagem
Novo diretor-adjunto do órgão afirma haver 'máxima tranquilidade e entusiasmo' sobre operação que mira deputado e filho de Bolsonaro

O novo diretor-adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Marco Cepik, disse que a direção do órgão vive um clima de ‘máxima tranquilidade e entusiasmo’ sobre a possibilidade de esclarecer o suposto esquema de espionagem ilegal investigado na Operação Vigilância Aproximada, que mira o ex-diretor e deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) e o vereador carioca Carlos Bolsonato (Repúblicanos), filho do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL). Cepik nega risco da Abin obstruir a devassa sobre as possíveis irregularidades da gestão de Ramagem.
“A direção vê com a máxima tranquilidade e com entusiasmo o completo esclarecimento do que aconteceu aqui durante a gestão de Ramagem [deputado federal Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Abin] e não há nenhum risco de obstrução desse processo por parte da administração”, disse Cepik, em entrevista à TV Brasil, veiculada na noite de ontem (1º) no programa Repórter Brasil.
Cepik é substituto de Alessandro Moretti, que caiu um dia após a segunda fase da operação deflagrada na segunda-feira (29), para apurar suspeitas do uso de um programa de espionagem do órgão, para monitoramento de autoridades e de pessoas escolhidas por critério político e interesse do governo de Bolsonaro, sem autorização da Justiça. Mas segue subordinado ao diretor Luiz Fernando Corrêa, que vive ameaça de perder o cargo.
O novo nº 2 da Abin ressaltou ainda que seu antecessor, Alessandro Moretti, não é investigado e não existe qualquer suspeição sobre ele. Ele tentou explicar que a exoneração ocorreu “para que não haja nenhum tipo de dúvida” quanto a uma eventual suspeita. Mesmo critério que o governo do presidente Lula (PT) não aplicou ao diretor-geral da agência.
Segundo o diretor-adjunto, uma eventual participação de servidores da agência nas irregularidades, se alcançada pela investigação, será levada à Corregedoria da Abin, à Corregedoria-Geral da União (CGU) e à própria Polícia Federal.
“Se essa ferramenta foi utilizada, queremos saber para que, quando, por quê, com que finalidade, não importa quem foi, se forem servidores mais antigos, mais jovens, se forem policiais federais que estavam ocupando cargos comissionados aqui na gestão Ramagem, tudo isso vai ser devidamente esclarecido”, afirmou..
Ex-diretor da Escola de Inteligência da Abin, Cepik lembrou que a direção da Abin abriu, em março de 2023, uma sindicância interna para apurar uso indevido de recursos para geolocalização como o programa espião first mile, bom como outros atos da gestão Ramagem. Apuração esta que foi transferida para CGU.
“No devido momento, o Supremo Tribunal Federal e a justiça vão determinar quais informações do inquérito deverão vir a público e em que momento, para que não haja prejuízo da correta apuração”.
Deputados de oposição criticaram a fase mais recente da operação, em que o ministro Alexandre de Moraes expediu nove mandados de busca e apreensão em cinco endereços de Carlos Bolsonaro na capital fluminense, inclusive em casa de praia de Angra dos Reis (RJ), onde também estava seu pai Jair Bolsonaro, com seus outros filhos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Este classificou a operação como “ato ilegal, além de imoral”. (Com ABr)