Carros “populares” superam R$ 80 mil e mostram alta de 125% em dez anos
Modelos de entrada como Kwid e Mobi custam mais de 40 salários mínimos

Os carros mais baratos vendidos no Brasil em 2026, como o Renault Kwid Zen (R$ 78.690) e o Fiat Mobi Like (R$ 82.560), refletem um cenário de encarecimento contínuo no setor automotivo. Segundo dados de mercado, o preço médio de veículos novos aumentou 125% desde 2016, quando um modelo de entrada custava cerca de R$ 70,9 mil.
O custo elevado também se relaciona à carga tributária. De acordo com o senador Cleitinho (Republicanos-MG), quase metade do preço de um automóvel novo corresponde a impostos. “Um trabalhador com carteira assinada dificilmente consegue comprar um carro zero hoje”, afirmou o parlamentar, defendendo uma revisão dos tributos sobre o setor.
A elevação ocorre mesmo após programas de incentivos lançados pelo governo federal para conter a alta dos preços. Em 2025, o setor ainda registrou inflação de 2,4%, apesar de algum alívio momentâneo nas montadoras. Segundo dados oficiais, 64% dos recursos destinados ao programa de descontos foram utilizados sem impacto significativo sobre o valor final ao consumidor.
Ao mesmo tempo, os gastos públicos com locação de veículos oficiais seguiram em alta. Em 2024, o governo federal empenhou R$ 1,02 bilhão para essa finalidade, um aumento de 25% em relação ao ano anterior, conforme dados do Portal da Transparência.
Hoje, modelos básicos como o Citroën C3 Live (R$ 83.990) e o Volkswagen Polo Track (R$ 95.490) exigem valor equivalente a mais de 40 salários mínimos, o que, segundo Cleitinho “restringe o acesso da população de baixa renda ao carro novo e reforça a dependência de transporte coletivo ou por aplicativos”, finaliza.