Cancelamento de descontos no INSS despenca de 92% para 15%, diz CPMI
Relatório indica queda na taxa de pedidos atendidos e aumento de 388% nas solicitações de inclusão de cobranças

A taxa de pedidos atendidos para cancelamento de descontos associativos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social caiu de 92% para 15% entre 2023 e 2025, segundo dados analisados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS.
As informações constam no parecer final da comissão, com base em dados enviados pela Dataprev, responsável por processar os sistemas da Previdência Social. O índice não mede fraudes barradas, mas sim a taxa de sucesso dos pedidos de cancelamento dos chamados descontos associativos — mensalidades cobradas por entidades diretamente nos benefícios, mediante autorização prévia do segurado.
“Um fator que pode explicar essa queda exponencial é que a maioria dos pedidos de exclusão já haviam sido excluídos em momento anterior”, aponta o documento.
Além disso, houve aumento expressivo nas solicitações para inclusão desses descontos. Entre 2022 e 2024, os pedidos subiram 388%, passando de 2,8 milhões para 10,6 milhões. Já os pedidos de cancelamento caíram no período. Em 2025, foram registrados 1,1 milhão de solicitações, contra 2,8 milhões em 2022 — uma redução de 45%.
A CPMI investiga um esquema de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões. Segundo o ministro da Controladoria-Geral da União, Vinícius de Carvalho, há indícios de fraudes com falsificação de assinaturas para autorizar cobranças. De acordo com as apurações, entidades podem ter cobrado cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024 por meio desses descontos.