Bolsonaro relata aval de delegado para manter arma em casa após operação
Ex-presidente afirma que autorização foi concedida durante ação da PF; investigação da PCDF não apontou crime de posse ilegal

O ex-presidente Jair Bolsonaro declarou, em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que recebeu autorização de um delegado da Polícia Federal para manter uma pistola em sua residência, após uma operação de busca e apreensão realizada em 2025.
Segundo seu relato, durante a diligência todas as armas existentes no imóvel seriam recolhidas, mas ele pediu que uma delas permanecesse na casa por questões de segurança.
De acordo com Bolsonaro, o delegado consultou superiores por telefone e, em seguida, informou que o pedido havia sido autorizado.
A arma em questão possuía registro válido junto ao Exército Brasileiro.
Conforme as investigações, ela permaneceu na residência até ser retirada por um integrante da equipe de segurança do ex-presidente, que alegou ter levado o armamento para manutenção após a identificação de uma falha mecânica.
Posteriormente, a pistola foi apreendida durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal, em Taguatinga.
No depoimento, Bolsonaro afirmou que não autorizou a retirada definitiva da arma de sua casa e disse ter tomado conhecimento da apreensão apenas depois da abordagem policial.
O ex-presidente também declarou que jamais foi informado de qualquer restrição que o impedisse de manter a pistola em sua residência.
Após concluir o inquérito, a Polícia Civil do Distrito Federal entendeu que não foram encontrados elementos suficientes para caracterizar o crime de posse ilegal de arma de fogo por parte de Bolsonaro.
O relatório aponta que a pistola possuía registro regular e que não havia impedimento legal identificado para sua permanência no imóvel, motivo pelo qual o ex-presidente não foi indiciado nesse ponto da investigação.
Por outro lado, o militar responsável por transportar a arma foi indiciado por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.
Em seu depoimento, ele afirmou que retirou a pistola da residência com autorização da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e que pretendia devolvê-la após o conserto, mas acabou sendo abordado antes disso.
O caso segue documentado nos autos da investigação conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal, enquanto os fatos relacionados à apreensão da arma permanecem sob análise das autoridades competentes.