Banco Central acende alerta e vê inflação acima da meta até o fim do ano

Projeção do IPCA sobe para 5,2%, e chance de descumprimento do teto da meta dispara para 79%, segundo relatório da autoridade monetária

O Banco Central elevou suas projeções para a inflação brasileira e passou a enxergar um cenário mais desafiador para o controle dos preços ao longo de 2026.

De acordo com o Relatório de Política Monetária divulgado pela instituição, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no fim deste ano subiu para 5,2%, acima da previsão anterior de 3,9% e também acima do teto da meta oficial de inflação.

A meta permanente de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Na prática, isso significa que o índice deve permanecer entre 1,5% e 4,5%. Com a nova projeção do Banco Central, a inflação ficaria acima do limite superior permitido.

O relatório também mostrou uma deterioração significativa nas probabilidades calculadas pela autoridade monetária.

A chance de a inflação ultrapassar o teto da meta no último trimestre de 2026 saltou de 30% para 79%, refletindo a revisão para cima das expectativas de preços e a persistência das pressões inflacionárias observadas nos últimos meses.

Segundo o Banco Central, a inflação acumulada em quatro trimestres deve atingir 5,2% no fim de 2026 antes de iniciar uma trajetória gradual de desaceleração.

As projeções indicam recuo ao longo de 2027, com o índice se aproximando da meta apenas nos anos seguintes.

Para o quarto trimestre de 2027, horizonte atualmente considerado relevante para a política monetária, a estimativa é de inflação em 3,7%.

A autoridade monetária atribui o cenário mais pressionado a fatores como atividade econômica mais resiliente do que o esperado, aumento dos preços de commodities, especialmente do petróleo, e incertezas relacionadas às condições fiscais e às expectativas de inflação.

O documento também menciona que novas medidas governamentais de estímulo à demanda podem influenciar o comportamento dos preços nos próximos trimestres.

O relatório destaca ainda que, caso a inflação permaneça acima do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, o Banco Central terá de apresentar explicações formais ao Ministério da Fazenda e detalhar as medidas necessárias para reconduzir os preços ao objetivo estabelecido pelo regime de metas.

Apesar do cenário de curto prazo mais adverso, as projeções do Banco Central indicam convergência gradual da inflação nos anos seguintes.

Pelas estimativas atuais, o índice deve encerrar 2028 próximo de 3,1%, patamar considerado compatível com a meta permanente perseguida pela instituição.

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