Assassino condenado muda versão, 3 anos depois, para incriminar sobrinho do governador

Gilbson, o matador, gravou vídeo inocentando quem agora acusa. Veja

Uma briga entre dois homens com extensas fichas criminais resultou na morte de um deles. O desentendimento se deu na disputa de propina sobre uma conta que já tramitada há 8 anos e que, mesmo depois do prazo de prescrição, foi reconhecida pelo então secretário de Educação Felipe Camarão e atual vice-governador do Maranhão.

Ocorrência de Daniel contra tentativas de chantagem da mulher de Gilbson,

Um dos homens, o que foi morto, mesmo acusado de ter mantido em cárcere privado um prefeito da capital, e de já estar pronunciado pelo tribunal do júri por homicídio qualificado, fora nomeado, meses antes, por Camarão, em cargo de confiança da Secretaria de Educação.

O que matou também respondia por homicídios e assaltos a banco. Era contratado pela empresa credora do débito antigo ressuscitado por Camarão.

A conta é do último mês de 2014. A empresa SH Vigilância e Segurança LTDA teria prestado serviços de vigilância armada nas escolas estaduais da regional de Imperatriz.

A cobrança começou a tramitar em 2015, início da gestão do ex-governador Flávio Dino, com Felipe Camarão no cargo de secretário da Educação.

Em 2021, Felipe Camarão nomeou em cargo de confiança João Bosco, de extensa ficha criminal: de homicídio a manter em cárcere privado um prefeito de São Luís, Edvaldo Holanda Jr., para forçá-lo pagar uma conta da prefeitura.

O processo não andou, caducou. Em 2019 foi ressuscitado pelo secretário Felipe Camarão. Ele próprio fez o “reconhecimento da dívida” e a encaminhou para pagamento.

Ficha criminal do auxiliar de confiança de Camarão morto em disputa por propina.

Em abril de 2022, Felipe Camarão deixaria a secretaria da Educação para desincompatibilizar-se e ser candidato a vice-governador. Delmar, seu subsecretário financeiro, permaneceu, assim como praticamente todos os demais funcionários.

Foi Delmar quem assinou, quatro meses depois, sem o aval da então titular da Secretaria de Educação, a ordem de pagamento da conta ressuscitada por Felipe e que tinha como cobrador interno o João Bosco.

A essa altura, a empresa que se dizia credora, estava falida, com CNPJ inválido. O seu proprietário contratou um advogado, que tratou de reativar o CNPJ e, ao mesmo tempo, chamou a um outro cobrador de agiotas igualmente portador de larga folha criminal, inclusive homicídios. Era Gilbson Cutrim.

João Bosco, o cobrador de aluguel nomeado por Camarão, soube que o dinheiro tinha saído. Passou a assediar Gilbson e até fazer-lhe ameaças.

Veja vídeo em que o matador exime Daniel Brandão:

Bosco também era ligado ao vereador Beto Castro (Avante) que ouviu, numa discussão,  o homicida citar o nome de Daniel Brandão, então secretário de Assunto Políticos do Governo. Informado, Daniel pediu a Beto que reunisse os dois, em local público, para que tirassem a limpo essa possível citação do seu nome num caso de cobrança de conta devida pelo Estado.

Até então Daniel nem sequer sabia da existência de Bosco.

Deu-se o encontro, num café na calçada da Holandeses, avenida mais movimentada de São Luís. Todos negaram ter citado o nome de Daniel. Daniel retirou-se do local. Depois disso, Gilbson e Bosco iniciaram uma forte discussão que culminou no assassinato.

Dois dias depois do homicídio, Gilbson pediu para gravar um depoimento, no qual ele narra os fatos. Exime Daniel de qualquer proximidade com o caso. Diz que foi torturado provavelmente a mando de Jeferson Portela, ex-secretário de segurança de Flávio Dino. César Cutrim, pai de Gilbson, na mesma gravação, mostra os registros de ligações de Portela, segundo ele, oferecendo advogado para livrar Gilbson no júri, desde que eles aceitassem incriminar Daniel.

César faz questão de mostrar intimidade com Jeferson Portela, e diz, duas vezes, ser tratado pelo “dinista” de “meu irmão César”. Mas evidencia que evitou ir ao seu encontro, para evitar proximidade com os que queriam distorcer os fatos.

Gilbson, o atirador, deu pelo menos oito depoimentos, na polícia e na Justiça, todos com o mesmo conteúdo. Até no tribunal do júri, quando sabia que seria condenado a uma pesa pesada, não saiu da sua narrativa inicial.

Por último, começaram a procurar Daniel e familiares, pedindo ajuda, exigindo quantias grandes, segundo eles porque estavam assediados “pelo outro lado”. A mulher de Gilbson, em aparição recente nas redes sociais, nervosa e parecendo estar lendo, também revela que mudou a narrativa por ter sido acolhida pelo que ela chama de “outro lado”.

Inexplicavelmente, conseguiram federalizar o caso, transferiram para Brasília um homicida julgado e condenado, 3 anos depois do ocorrido, quando lhe teriam sido prometidos a ele benefícios, desde que aceite fazer uma delação premiada.

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