Clima extremo afeta mais de 1,8 milhão de pessoas na Amazônia
Ipam, UFPA e Universidade de Leeds revelam que indígenas e comunidades tradicionais são 75% dos mais atingidos

Mais de 1,8 milhão de pessoas são afetadas anualmente por eventos climáticos extremos na Amazônia, aponta estudo publicado nesta quinta-feira (13) na revista Nature Communications. A pesquisa, conduzida por Ipam, UFPA e Universidade de Leeds, mostra que 75% dos mais impactados pertencem a povos indígenas e comunidades tradicionais, indicando forte sobreposição entre vulnerabilidade social e exposição ambiental.
O levantamento revela que municípios com menos de 50 mil habitantes — onde vive a maior parte dessas populações — sofrem as maiores perdas, com redução de até 10% no crescimento econômico nas últimas duas décadas. Entre 2000 e 2022, os desastres climáticos provocaram prejuízos de US$ 5,7 bilhões, média anual de US$ 650 milhões, com avanço de 370% das perdas no período. Agricultura, pecuária, infraestrutura e saúde pública foram os setores mais atingidos.
No total, 4.792 eventos extremos foram registrados, com aumento expressivo de frequência e intensidade:
- queimadas 10 vezes mais comuns;
- inundações, cinco vezes;
- secas e ondas de calor, três vezes.
Os anos de 2010, 2015 e 2021 concentraram os maiores danos.
Além das perdas econômicas, o estudo destaca impactos “residuais”, como danos à saúde, cultura, identidade e bem-estar, que afetam diretamente o modo de vida amazônico e ampliam a insegurança alimentar e emocional. Os pesquisadores alertam para um ciclo de vulnerabilidade: prejuízos reduzem investimentos locais, aprofundam a pobreza e ampliam a exposição a novos desastres.
Entre as recomendações, o grupo sugere criar um fundo de perdas e danos específico para a Amazônia, inspirado no mecanismo internacional aprovado na COP27, destinado a compensar regiões que sofrem impactos desproporcionais das mudanças climáticas apesar de emitirem menos gases de efeito estufa.