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Previsões assustadoras

Zika infectará 4 milhões nas Américas, diz Opas

El Niño ajudará a espalhar vírus, que já chegou a 23 países

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A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) fez previsões assustadoras nesta quinta-feira, 28, em Genebra, na Suíça, sobre a propagação do zika vírus no mundo. A projeção é de que o ano pode terminar com 3 a 4 milhões de casos da doença. Destes, 1,5 milhão deve ocorrer no Brasil.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) também anunciou hoje a criação de um Comitê de Emergência para orientar sobre formas de lidar com o zika vírus, que já atinge 23 países. Para a diretora-geral da organização, a doença "se propaga de maneira explosiva".

A OMS anunciou que vai convocar seu comitê de cientistas para declarar o zika como uma emergência internacional para saúde pública, representando uma “ameaça global”.

"Devemos assumir que isso vai para todo lugar, não devemos esperar para agir", disse Marcos Espinal, diretor de Doenças Comunicáveis e Análise de Saúde da OMS. No entanto, a primeira notificação à OMS ocorreu em outubro. Mas nada foi feito, e toda a gestão da doença foi deixada para a Opas. 

Segundo a diretora da OMS, Margaret Chan, criticada por ONGs e cientistas por não ter agido até agora para frear a doença, eventos climáticos alimentados pelo El Niño, que levam chuva e calor a áreas mais extensas, vão contribuir para espalhar a doença.

Apesar de a presença do vírus ter grande correlação com casos de microcefalia no Brasil, Chan afirma que ainda não está totalmente comprovado que um afeta o outro. Para a síndrome de Gullain-Barré, colapso neurológico que pode ser causado pelo vírus, também faltam evidências.

"Ainda não foi estabelecida uma relação causal entre a infecção viral por zika e malformações no nascimento, além de síndromes neuroimunológicas", disse Chan. "Há uma forte suspeita, porém."