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PISTOLAGEM POLÍTICA

Vereador é preso como suspeito de matar colega de Câmara, em Alagoas

SSP prende três e caça suspeito de matar vereador alagoano

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Quase três meses depois do crime que instalou clima de guerra para o Sertão de Alagoas, a Secretaria da Segurança Pública (SSP/AL) deflagrou operação contra suspeitos do assassinato do vereador Adelmo Rodrigues de Melo, o “Neguinho Boiadeiro” (PSD), no município de Batalha (AL), e prendeu o também vereador Alex Sandro Rocha Pinto (PMN), seu sobrinho Rafael Pinto e outro suspeito identificado como Maikel Santos, na manhã desta sexta-feira (23).

A SSP cumpriu dez mandados de busca e apreensão e ainda tenta prender um quarto suspeito de envolvimento no crime de pistolagem, ocorrido em 09 de novembro de 2017, à porta da Câmara de Vereadores de Batalha. Mas não revelou qual a participação de cada um dos presos na trama.

Segundo o delegado Cícero Lima, gerente da polícia judiciária e responsável pela investigação, esta foi apenas a primeira fase da operação, que conseguiu apreender celulares e computadores que servirão para avançar na elucidação do crime, no inquérito que foi prorrogado por mais 30 dias.

"O Rafael e o Sandro [vereador] participaram, deram os apoios logísticos. Quando foi ouvido, o Rafael omitiu, mas no horário em que atearam fogo no carro, ele estava lá. Mas disse que não saiu de Batalha", disse o delegado.

O representante da Polícia Civil afirma que o assassinato foi um crime bastante complexo e planejado com dois meses de antecedência. Houve, por exemplo, panfletagem oferecendo serviços de uma empresa fictícia, feita pela quadrilha quatro dias antes do crime, nas imediações da Câmara. E um carro que deu fuga aos pistoleiros havia sido roubado meses antes, em Maceió, depois foi encontrado carbonizado. “Houve muita inteligência, um modus operandi que é coisa rara”, disse Cícero Lima.

Os mandados foram cumpridos em Maceió e nos municípios de Major Izidoro e Batalha. E todos os presos e material apreendido devem ser encaminhados ao Complexo de Delegacias Especializadas (Code), no bairro de Mangabeiras.

CRIMES POLÍTICOS

A família Boiadeiro atribui a autoria intelectual do crime a integrantes da família do presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Luiz Dantas (MDB), que cobra a elucidação do crime.  Mas o delegado não confirmou a relação com os Dantas, ao afirmar já saber da motivação da morte do vereador. “Sabemos da motivação, mas como tem muita gente envolvida, no final do inquérito diremos a motivação”, disse o delegado.

Luiz Dantas já se manifestou publicamente favorável à apuração dos crimes, ao defender que sua família não teria participação no crime. Seu filho Paulo Dantas é casado com a prefeita de Batalha, Marina Dantas, e foram acusados diversas vezes por familiares de Neguinho Boiadeiro, de participação no crime.

O filho do vereador assassinado, José Márcio Cavalcante de Melo, o “Baixinho Boiadeiro”, é procurado pela acusação de tentar vingar a morte do pai, ao trocar tiros com Zé Emílio Dantas, que é órfão do ex-prefeito Zé Miguel, assassinado em 1999, por “Laércio Boiadeiro”, que foi condenado a 35 anos de prisão.

Contando com o duplo homicídio do prefeito Zé Miguel e de sua esposa Matilde Toscano, em 1999, e com o assassinato do vereador Neguinho Boiadeiro, na quinta, as famílias Boiadeiro e Dantas já perderam um total de seis pessoas.

O vereador Tony Carlos Silva de Medeiros, o “Tony Pretinho” (PR), foi o segundo integrante do Legislativo Municipal assassinado a tiros, 36 dias depois da morte de Neguinho Boiadeiro, apesar da ocupação das forças policiais do Estado de Alagoas, no município de Batalha.

O governador Renan Filho (MDB), aliado da família Dantas, disse nesta sexta-feira que espera a garantia de elucidação do crime."Espero que a operaçao desta manhã garanta a completa elucidação do crime", declarou, em entrevista.

O Diário do Poder não localizou nenhum advogado dos acusados, a fim de publicar os seus posicionamentos sobre as prisões.