Máfia dos ônibus no DF

Acusador de estatal do DF é denunciado por estelionato

Ministério Público dá crédito a suposto engenheiro para abrir investigação

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O Ministério Público do Distrito Federal anunciou nesta terça-feira (5) a decisão de abrir investigação com base em denúncia de José Weber Cuconato Arnaut, que há anos atua no setor de transportes, em Brasília, apresentando-se como engenheiro. Ele acusou a direção da estatal TCB, do governo do Distrito Federal, de realizar compras superfaturadas desde que interveio em duas empresas de ônibus do Grupo Amaral, do ex-senador Valmir Amaral. Ex-funcionário do grupo, José Weber é suspeito de continuar a serviço dos donos das empresas sob intervenção.

O problema é que José Weber, que era contratada da TCB para prestar serviços de consultoria em engenharia mecânica, saiu da condição de acusador para a de acusado: em ofício à 2ª Delegacia de Polícia do DF, o próprio presidente da estatal, Carlos Alberto Koch Ribeiro, denunciou-o por cobrar “vantagens financeiras” de cinco fornecedores para liberar suas ordens de serviço sem as quais a TCB não realizaria os pagamentos. E ainda relata suspeitas consistentes de que seria falsa sua alegada formação em engenharia.

Koch Ribeiro contou à 2ª DP que ouviu ao lado do chefe do departamento jurídico da TCB, Carlos Leonardo Souza dos Santos, de representantes das próprias empresas, o relato da extorsão praticada por José Weber. Na comunicação à polícia, o presidente da estatal cita as empresas Remonta Oficina de Motores Taguatinga Ltda, Mineirão Autopeças e Serviços Ltda, BI Comercial de Peças e Serviços Ltda-ME, Brasília Casa das Embreagens Ltda e Retífica e Tornedora Mineira Ltda, além dos respectivos responsáveis e/ou proprietários.

Suposto enganheiro

Diante de acusações tão graves contra José Weber, a estatal TCB decidiu passar um “pente fino” na documentação da empresa Jaqueline Arnaut-ME, da qual ele se apresentou como procurador e executor do contrato de consultoria em engenharia mecânica. E descobriu que o suposto engenheiro tem dois CPFs, utilizando um deles no formulário de registro no CREA/SP, cuja autenticidade agora está sob dúvida, e outro para se habilitar ao contrato com a empresa pública do governo do DF.

A TCB também pesquisou o registro de José Weber no CREA/SP, tanto pelo nome quanto pelo número de registro, e não conseguiu confirmar se de fato sua alegada formação em engenharia é verdadeira. Diante da possibilidade concreta de estar diante de um caso de estelionato e de falsidade ideológica, Koch Ribeiro solicitou à 2ª DP para investigar o caso.

José Weber disse estar disposto a “colaborar com as investigações” da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público, do MPDFT e entregou seu próprio computador, que usava quando foi funcionário da estatal.

O suposto engenheiro também acusou o diretor do DFTrans, Marco Antônio Campanella, presidente do PPL no DF, de pedir passagens aéreas ao Grupo Amaral em troca de fechar os plhos na investigação de suas empresas. Até mesmo ônibus teriam sido cedidos pelo Grupo Amaral a integrantes do PPL para viagens partidárias.

De acordo com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, o promotor que analisará o processo vai averiguar se as informações passadas por José Weber são verdadeiras. José Weber diz que já deu dois depoimentos no Ministério Público sobre as denúncias.

Ao Diário do Poder, José Weber negou que seja estelionatário, mas não quis fornecer um CREA válido.

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