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Renan se isola

Senadores do PMDB se reunirão com Temer à revelia de Renan e a convite de Jucá

Desespero de Renan por reeleição o tornou líder de si mesmo

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Enquanto o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) segue com sua estratégia eleitoral para tentar aplacar a antipatia do eleitor alagoano, criticando as propostas do governo de seu partido para reformas trabalhista e previdenciária, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), convidou os senadores peemedebistas para uma reunião com o presidente Michel Temer, na próxima terça-feira (9), às 11h, no Palácio do Planalto. A iniciativa, na prática, ignorou Renan como líder da bancada.

O objetivo da reunião é justamente defender o apoio dos peemedebistas às reformas, independentemente da postura de Renan. A proposta que modifica a CLT chegou esta semana ao Senado. Aliados de Temer afirmam que a ideia é evitar o confronto com o líder da bancada, mas também “não supervalorizá-lo” e dar seguimento à proposta na Casa.

Jucá ignora Renan em busca de apoio a Temer (Fabio Rodrigues Pozzebom)Interlocutores de Temer dizem ainda que ele está buscando “abrir espaço” para ouvir senadores descontentes com Renan. O presidente tem criado um canal direto com senadores do PMDB, já que não conta com a interlocução de Renan a seu favor para a aprovação das reformas. Ontem, por exemplo, ele recebeu a senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) no Planalto.

Fato cada vez mais consolidado é que o desespero de Renan diante das incertezas de sua própria reeleição o tornou líder de si mesmo, porque já aparece entre a 4ª e a 6ª colocação em pesquisas de intenção de votos em seu Estado.

Na quarta-feira (3), uma ala do PMDB insatisfeita com Renan fracassou na tentativa de destituí-lo: só conseguiu reunir o apoio de oito dos 12 votos necessários para afastar o atual líder. Após o episódio, a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) chegou a pedir uma reunião da bancada com Renan, que rejeitou o pedido e marcou um encontro para terça à noite.

O movimento contra Renan se intensificou após ele atuar para que a reforma trabalhista também passe pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), além das Comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Assuntos Sociais (CAS), o que atrasará a tramitação em cerca de 30 dias. Na mesma semana, Renan se reuniu com a oposição e líderes sindicais para defender mudanças no texto.

Apesar disso, o presidente da CCJ, Edison Lobão (PMDB-MA), tido como aliado de Renan, escolheu Jucá para a relatoria do texto. A escolha do líder do governo foi vista como uma vitória para integrantes do Palácio. A visão é de que Renan, apesar de não estar totalmente isolado na bancada, não tem mais “a força de antes”. (AE)

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