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Campeão de votos

Russomanno é sócio de delator que confessou pagamento de propina

Deputado se tornou sócio de delator em bar sem investir nada

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Líder nas pesquisas para a disputa à Prefeitura de São Paulo e campeão de votos nas eleições de 2014 com 1,5 milhão de votos, o deputado federal Celso Russomanno (PRB-SP) é sócio de Augusto Mendonça Neto, empresário que confessou ter repassado R$ 60 milhões em propina ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato de Souza Duque e ao PT no âmbito da Operação Lava Jato.

Mendonça Neto foi o primeiro executivo a firmar, em dezembro do ano passado, acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal e a Justiça e é um dos poucos empresários investigados ainda livre.

O executivo é ligado ao grupo Toyo Setal, que atuava no ramo de estaleiros. A empresa seria uma das que compunham o cartel que se apoderava dos maiores contratos da Petrobras, segundo denunciou o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, em uma de suas delações prestadas ao Ministério Público.

Mendonça Neto e Russomanno são proprietários do Bar do Alemão, restaurante localizado no Lago Sul, região nobre de Brasília.Pouco antes do primeiro turno das eleições de 2012, veio a público que Russomanno era sócio majoritário do bar sem ter gasto, segundo ele próprio na época, nenhum real. A aquisição do estabelecimento às margens do Lago Paranoá foi responsável pelo aumento de 100% de seu patrimônio entre 2010 e 2012 – passou de R$ 1,1 milhão para R$ 2,2 milhões, segundo declarações entregues ao Tribunal Superior Eleitoral.

Procurado, Russomanno disse que vendeu suas cotas na sociedade depois de assumir o mandato na nova legislatura. "Assumindo o mandato nesta legislatura, e com o tempo escasso em face dos compromissos político-partidários assumidos na condição de Líder de Partido, Membro titular em Comissões e também do tempo destinado às gravações do programa, tornou-se inviável minha permanência no negócio, razão da venda do que me cabia na sociedade", afirmou Russomanno, por meio de nota. O nome do deputado também aparece como sócio-administrador nos registros da empresa no banco de dados da Receita Federal.

Em nota, Russomanno tratou Mendonça Neto como amigo. Disse ter conhecido o executivo em 1979, quando o empresário namorou a prima do parlamentar – com quem, segundo ele, se casou mais tarde. "Conheci o Augusto em 1979, namorando minha prima Isabel, que depois se casaram. Desde então, somos amigos. Ele foi um dos investidores no Bar do Alemão com 16,66% de participação", escreveu o deputado.

Ainda no texto, Russomanno afirmou que sua saída da sociedade deve ser registrada na Junta Comercial do DF "nos próximos dias". O parlamentar negou ter tido acesso aos negócios de Mendonça Neto com a Petrobrás. "Quero deixar registrado que nunca tive acesso aos negócios do Augusto com a Petrobrás e que tomei ciência dos fatos pela imprensa", disse o parlamentar.

Mendonça Neto não quis se manifestar sobre o assunto. O Estado também telefonou para o Bar do Alemão à procura de Mendonça Neto. O gerente do restaurante confirmou à reportagem que o empresário era sócio do empreendimento e afirmou que ele dificilmente aparecia no bar.

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