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Venda da Ceal

Protesto suspende audiência sobre privatização da Eletrobras Alagoas

Sindicalistas queriam invadir palco contra venda da Eletrobras

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Um protesto de sindicalistas e funcionários causou a suspensão da audiência pública que debateria a privatização da Eletrobras Distribuição Alagoas, antiga Ceal, na manhã desta terça-feira (27), no auditório do Senai, em Maceió(AL). Parte dos manifestantes tentou ocupar o palco e impediu a continuidade do evento, ação considerada agressiva pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que convocou a audiência.

A ação manifestação de pessoas contrárias à venda da estatal federal aconteceu no momento em que foram chamados ao palco os representantes do Ministério de Minas e Energia, da Eletrobras e do BNDES, chamados de “golpistas” pelo grupo formado. Um dos motivos alegados para o protesto é o fato de o Estado de Alagoas ter recebido um calote quando da federalização da Companhia Energética de Alagoas (Ceal) e hoje cobrar uma dívida estimada em cerca de R$ 2 bilhões.

A Polícia Militar de Alagoas deve que agir para conter um dos manifestantes que chegou a subir ao local em que era formada a mesa de debates e seguranças particulares impediram novas investidas, com um cordão de isolamento. 

O Sindicato dos Urbanitários reclamou do forte aparato policial que controlava o acesso à audiência pública, com revistas e identificação dos participantes em um cadastro. O que foi considerado pela sindicalista Dafne Orion como uma atitude de intimidação da participação popular, porque houve interdição da rua desde as 6h da manhã.

“Antes mesmo de qualquer movimentação de trabalhadores, já havia cavalaria e viaturas da PM e da SMTT, trancando a rua. Fica a pergunta: como a população vai participar dessa audiência? É um aparato quase de guerra, então a população passa longe", afirmou Dafne Orion, em entrevista à Gazetaweb.

Ela também questionou o valor simbólico estipulado para a venda da estatal de Alagoas: R$ 50 mil. "Você não compra nem um terreninho, quanto mais uma empresa que distribui energia para todo o Estado".

A audiência pública foi convocada pelo BNDES, para esclarecer a respeito da privatização e receber contribuições da sociedade, contando ainda com a convocação de representantes do Consócio Mais Energia B e da própria Ceal. 

Assista um dos momentos do protestos registrados pela Gazetaweb:

O BNDES publicou nota sobre a manifestação. Confira os principais trechos:

A audiência começou às 9h, conforme previsto em seu regulamento, com o auditório de 270 lugares praticamente cheio. A mestre de cerimônias explicou ao público o objetivo da sessão e, ao passar a palavra para o presidente da mesa, Ricardo Brandão, representante do Ministério de Minas e Energia (MME), manifestantes tentaram de forma agressiva ocupar o palco e impedir a continuidade do evento.

A Polícia Militar teve que intervir para conter os manifestantes e, após tentativas frustradas de negociação, ficou constatado que não havia condições mínimas de segurança para o prosseguimento da audiência naquele local, devido à postura hostil de parte da plateia – que tinha o objetivo declarado de impedir a realização do evento. Diante disso, Ricardo Brandão decidiu pela suspensão dos trabalhos. Uma nova audiência será marcada em Alagoas e comunicada publicamente em breve.

O BNDES já realizou quatro audiências públicas do processo de desestatização das distribuidoras da Eletrobras nos Estados de Roraima, Amazonas, Rondônia e Acre.

A audiência pública é uma importante oportunidade para que a sociedade civil possa manifestar-se em relação ao processo de desestatização da distribuidora, bem como apresentar sugestões e contribuições. Ela é uma demonstração de transparência na condução de um processo importante para o País e para o Estado de Alagoas.

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