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'Povo é quem mais ordena'

Professor e comentarista político é o novo presidente de Portugal

'O povo é quem mais ordena e foi o povo que me quis', diz ele

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O professor e comentarista político Marcelo Rebelo de Sousa, do Partido Social Democrata (PSD), venceu as eleições presidenciais portuguesas com mais de 52% dos votos. Em seu discurso de vitória, ele afirmou que “o povo é quem mais ordena e foi o povo que me quis”. A frase reproduz o trecho da letra de uma musica muito significativa para a História recente de Portugal. Trata-se da música “Gôndola, vila morena”, que, censurada pela ditadura salazarista, foi usada como senha para a chamada “revolução dos cravos”, em 25 de abril de 1974, ao tocada em algumas rádios envolvidas na insurreição popular que derrubou o regime.

Marcelo Rebelo de Sousa, que não teve apoio político e econômico de seu partido, tampouco de empresários, é um comentarista político muito conhecido dos portugueses. Há décadas ele explica e interpreta na rádio e na TV as questões políticas, explicando-as de forma coloquial, mas deixando clara sua posição.

O candidato independente António Sampaio da Nóvoa, ex-reitor da Universidade de Lisboa, foi o segundo mais votado com apenas 22% dos votos.

O novo presidente disse que vai trabalhar para promover o consenso e reparar divisões criadas após as eleições de outubro, quando a esquerda derrubou um governo de centro-direita que impôs duras regras de austeridade no país. Ele já havia se mostrado favorável a um governo de “coabitação” — termo usado para se referir a um presidente eleito por uma maioria diferente da parlamentar.

— Esta eleição termina um processo eleitoral muito longo que enervou o país e dividiu uma sociedade já ferida por anos de crise. É hora de virar a página, acabar com o trauma e iniciar uma pacificação econômica, social e política — afirmou Sousa, professor de Direito Constitucional e membro do Partido Social-Democrata (PSD), diante de dezenas de simpatizantes na Universidade de Lisboa.

Conhecido como “professor Marcelo”, ele se mostrou bastante conciliador com o governo de esquerda liderado por António Costa, seu ex-aluno na Faculdade de Direito de Lisboa.

— Não serei o presidente de nenhum partido — prometeu, declarando que deseja ser “um árbitro acima das confusões”.

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