CPI da Petrobras

Policiais federais ficam em silêncio e audiência termina

Todos os policiais estavam amparados por um habeas corpus

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A reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras foi encerrada há pouco. O superintendente da Polícia Federal no Paraná, Rosalvo Ferreira Franco, exerceu o direito de ficar em silêncio. Em seguida, o delegado José Washington Luiz Santos, que também tinha habeas corpus para não responder às perguntas, foi dispensado.

Impedido de falar

Mais cedo, o delegado Maurício Moscard Grillo, responsável pela investigação interna da Polícia Federal a respeito do grampo encontrado na cela do doleiro Alberto Youssef em Curitiba (PR), informou que está impedido de falar sobre a apuração e anunciou que não iria responder às perguntas.

Antes do início do depoimento, o deputado Fernando Francischini (SD-PR) pediu que a audiência fosse sigilosa. “Preocupa-me que delegados que participaram da investigação diretamente, e que investigaram desvios bilionários, venham prestar depoimento que possam comprometer as investigações”, disse.

Segundo Francischini, o caso dos grampos é um problema interno da Polícia Federal. “É esdrúxulo que os investigadores venham aqui como investigados”, declarou.

O deputado Aluisio Mendes (PSDC-MA), autor dos requerimentos de convocação de todos os policiais envolvidos na investigação dos grampos, defendeu o depoimento. “Estamos aqui para apurar eventual ilícito ocorrido na investigação, se isso pode comprometer a operação e a quem interessa isso”, explicou.

Maurício Grillo presidiu a investigação interna sobre o grampo achado na cela de Youssef e concluiu que o aparelho era antigo, estava fora de uso e havia sido instalado na época em que a cela era ocupada pelo traficante Fernandinho Beira-mar.

Habeas corpus

Todos os policiais convocados estavam amparados por um habeas corpus concedido pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), que lhes garante o direito de não responder às perguntas.

Além de Grillo, foram convocados os delegados Rosalvo Ferreira Franco e José Washington Luiz Santos. Franco é o superintendente da PF no Paraná e Santos é o substituto imediato dele.

Cinco policiais, entre agentes e delegados da Polícia Federal, já foram interrogados pela CPI a respeito do caso dos grampos, todos em reuniões secretas.

Na última terça-feira (29), a CPI ouviu o depoimento do delegado Mário Fanton, da Polícia Federal, que levantou suspeitas sobre a investigação a respeito do grampo. Fanton fez uma investigação própria sobre o caso e chegou a ser denunciado por calúnia e difamação pelo Ministério Público por levantar suspeitas sobre os colegas.

Os detalhes do depoimento do delegado não foram revelados, mas o relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), revelou que ele listou irregularidades na apuração do caso.

Além de Fanton, a CPI também ouviu na terça-feira o delegado Rivaldo Venâncio e o agente José Eraldo de Araújo. Em julho, a comissão ouviu os depoimentos do delegado José Alberto de Freitas Iegas e do agente Dalmey Fernando Werlang, ambos da Polícia Federal. Werlang, em depoimentos publicados pela imprensa, admitiu ter instalado os dois grampos a pedido de delegados da PF e teria confirmado a informação em uma investigação informal feita por Mário Fanton. (Com informações Agência Câmara)

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