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Lava Jato

PF quer delação da Schahin sobre pagamentos a ‘garçom de Lula’ e Delfim Netto

Grupo confessou ter emprestado R$ 12 milhões ao PT, em 2004

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A Polícia Federal negocia com donos da Schahin uma nova colaboração premiada, nas investigações da Operação Lava Jato, em Curitiba. O objetivo é esclarecer pagamentos identificados do grupo empresarial para investigados como Carlos Roberto Cortegoso, conhecido como o “garçom de Lula” e segundo maior fornecedor da campanha de reeleição de Dilma Rousseff, e para o sobrinho do ex-ministro do milagre econômico, Delfim Netto.

Um dos donos do Grupo Schahin confessou ter feito, em 2004, empréstimo de R$ 12 milhões para o PT, em nome do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um dos destinos do dinheiro, segundo descobriu a Lava Jato, foi o empresário de Santo André (SP) Ronan Maria Pinto – condenado por corrupção no governo do prefeito assassinado Celso Daniel (PT) -, que usou parte do valor para a compra do jornal Diário do Grande ABC.

O caso virou processo criminal, aberto pelo juiz federal Sérgio Moro e tem como réu, ainda, o ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira e o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares – ambos também pegos no mensalão. Nesta segunda, o publicitário Marcos Valério será interrogado, em Curitiba, pelo juiz da Lava Jato. Ele participou da lavagem desses recursos.

Paralelo à ação penal, em fase final, a Lava Jato tem um inquérito que tem a Schahin como alvo e pode ampliar os focos de investigação sobre envolvimento em corrupção na Petrobrás e fora dela. Desde julho, no entanto, o delegado Filipe Hille Pace, da equipe da PF em Curitiba, comunicou a defesa do grupo para uma reunião para tratar de eventual colaboração complementar.

Nela, o delator ou outro executivo do grupo teriam que explicar os pagamentos feitos a um grupo de 13 empresas considerados suspeitos de ocultarem propinas, em inquérito com laudos periciais ainda pendentes.

A PF informa em despacho que foi requisitado perícia financeira e contábil sobre os pagamentos feitos pelo Grupo Schahin e por consórcios que suas empresas integram. Apesar do laudo não ter ficado pronto, o delegado relaciona “algumas transferências realizadas pelo grupo Schahin a empresas já investigadas na Operação Lava Jato, bem como a outras que, ao que parece, podem ter sido utilizadas de maneira ilícita”.

Entre elas a CRLS Consultoria e Eventos, de Cortegoso, a LS Consultoria Empresarial Agro Pecuária e Comercial, de Luiz Appolonia Neto, sobrinho de Delfim que já confessou usar a firma para receber valores para o tio, e outras como a Rock Star Marketing e a Rock Star Produções Comércio e Serviços, do lobista e operador de propinas Adir Assad, e a Oliveira Romano Sociedade de Advogados, do ex-vereador do PT e delator Alexandre Romano, o Chambinho.

PT. Os pagamentos para Cortegoso são um risco para o PT. Conhecido como o “garçom de Lula”, o empresário de São Bernardo do Campo virou o fornecedor principal dos palanques e materiais de campanha para o partido. Na disputa de reeleição em 2014, recebeu R$ 24 milhões dos petistas – valor abaixo apenas dos R$ 73 milhões pagos ao marqueteiro João Santana.

Cortegoso presta serviços para o PT, principalmente, por sua empresa Focal Comunicação Visual. A CRLS foi aberta em 2009 e passou a movimentar valores acima dos declarados. O empresário é réu em processo aberto em São Paulo, resultado da Operação Custo Brasil, que apurou corrupção e desvios em contratos de empréstimos consignados dos servidores federais, via Ministério do Planejamento. O ex-ministro Paulo Bernardo chegou a ser preso.

O ex-ministro – e sua mulher, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) – são acusados de receberem propinas da empresa Consist Software, pelo contrato milionário intermediado pelo ministério. A CRLS, de Cortegoso, foi uma das empresas que teria recebido os valores dessa corrupção, na cota que era dirigida ao PT, segundo acusa o Ministério Público Federal, em São Paulo. A apuração do suposto envolvimento da senadora com o caso corre em Brasília, no Supremo Tribunal Federal (STF).

Fornecedores. Além de doações oficiais usadas para ocultar propina das empreiteiras beneficiadas com contratos na Petrobrás, a Lava Jato descobriu que pagamentos de fornecedores dos partidos e suas campanhas eram feitos como forma de movimentação do dinheiro da corrupção da Lava Jato e da Custo Brasil.

Cortegoso e o marqueteiro do PT, João Santana, foram dois dos supostos beneficiados pelo esquema, sustentam os procuradores da Lava Jato e da Custo Brasil – aberta como desmembramento das investigações do escândalo Petrobrás. (AE)