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Lava Jato tem alvo certo

PF põe 18 vezes nome de Lula em interrogatório de Bumlai

Linha revela que investigadores buscam indícios contra petista

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A Polícia Federal mencionou dezoito vezes o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao interrogar o empresário José Carlos Bumlai, amigo pessoal do petista desde 2002. As citações constam do terceiro depoimento prestado pelo empresário desde que foi preso há um mês pela Operação Passe Livre, um desdobramento da Lava Jato.

A linha de questionamentos da PF a Bumlai revela que os investigadores buscam algum indício de envolvimento do ex-presidente e do PT nos negócios do pecuarista. Bumlai blindou o ex-presidente em todas as suas respostas, assim como fez nos depoimentos anteriores. “Que solicitação ele [Lula] poderia me fazer? Ele não precisava de mim para nada. Acho que ele não me pediria nada. Ele tinha as pessoas de confiança dele. Eu não era uma pessoa assim”, afirmou ao responder um dos questionamentos.

O Instituto Lula, criado pelo ex-presidente quando deixou o Palácio do Planalto, no início de 2003, foi citado três vezes em perguntas da PF. A Receita Federal instaurou procedimento para solicitar informações ao instituto que podem gerar abertura de investigação tributária e criminal no processo da Lava Jato.

Bumlai afirmou que para conversar com Lula telefonava para o número de Marisa Letícia, mulher do petista. “Perguntado ‘sobre a forma de comunicação que mantinha com Luiz Inácio Lula da Silva disse que entrava em contato através do número de sua esposa’. Que ‘pelo que o reinterrogando [Bumlai] sabe Luiz Inácio Lula da Silva nunca possuiu um número de celular próprio'”.

No inquérito em que questionou Bumlai sobre Lula, a PF investiga empréstimo de R$ 12 milhões tomado por Bumlai no Banco Schahin, em outubro de 2004 – o real destinatário do dinheiro foi o PT, segundo o empresário. O inquérito é dirigido pelo delegado da PF Filipe Hille Pace.

Sobre o capítulo Schahin, o pecuarista disse que o empréstimo foi negociado na presença do então tesoureiro do PT, Delúbio Soares – mais tarde réu e condenado no processo do Mensalão. A PF também questionou Bumlai sobre e-mail dele para o secretário da Embaixada do Catar em Brasília, em fevereiro de 2014, em que o pecuarista demonstra empenho em agendar uma reunião com o ex-presidente. “Que ‘durante os anos de 2014 e 2015, não repassou qualquer demanda de interessados em solicitar reuniões, palestras e outros pleitos a Luiz Inácio Lula da Silva'”, disse Bumlai. (AE)

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