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OPERAÇÃO SURURUGATE

PF indicia deputada por 25 crimes de peculato em Alagoas

Thaise Guedes teria usado pobres para desviar R$ 220 mil da ALE

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A deputada estadual Thaise Guedes (PMDB-AL) foi a primeira parlamentar alagoana indiciada pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Sururugate, deflagrada em março deste ano para investigar o rombo de R$ 150 milhões dos cofres da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE). Na noite de ontem (26), a deputada prestou depoimento na Superintendência da PF em Maceió e, na saída, seus assessores agrediram uma equipe de reportagem da TV Gazeta, afiliada à Rede Globo.

De acordo com o superintendente da PF em Alagoas, delegado Bernardo Gonçalves, a deputada foi indiciada pela prática de 25 vezes o crime de peculato, envolvendo o desvio de mais de R$ 220 mil de recursos públicos. E deverá responder a uma ação penal que será impetrada pelo procurador-geral de Justiça de Alagoas, Alfredo Gaspar de Mendonça.

As investigações constataram a participação da deputada Thaise Guedes no esquema de desvio de recursos públicos por meio do pagamento de salários a funcionários fantasmas da Assembleia. A parlamentar ganhou fama nacional em reportagem do Fantástico, em 2015, flagrada pelo Ministério Público Estadual usando documentos de duas lavadeiras para desviar recursos da ALE.

“Identificou-se uma servidora, por exemplo, que recebia Bolsa Família, porque realmente era pobre, e nunca recebeu esses salários. Foram aproximadamente R$ 140 mil em 13 meses. Ela sequer tinha conhecimento de que era servidora da Assembleia Legislativa. Essa testemunha contou que forneceu cópia de seus documentos pessoais para deputada, com o objetivo de conseguir um emprego no comércio local. Mas seus documentos foram utilizados sem o conhecimento dela, para a prática dessa fraude”, disse o superintendente da PF, em entrevista ao vivo à TV Gazeta.

Além do desvio de recursos usando documentos de pessoas que tentavam conseguir emprego, a PF diz ter provas de que a deputada tinha dois servidores vinculados ao seu gabinete, recebendo salários superiores aos valores efetivamente pagos. Nesse caso, a diferença foi de R$ 80 mil.

TODOS INDICIADOS

A PF confirmou ao Diário do Poder que todos os outros nove deputados e um ex-deputado estadual também deverão ser indiciados no inquérito que apura o crime de peculato e outros decorrentes da investigação que já constatou um desvio de mais de R$ 15 milhões através de pagamentos realizados a pessoas pobres, cadastradas no programa Bolsa Família. Muitas dessas pessoas tinham os documentos utilizados para ingressar na folha da Assembleia com salários que variavam de R$ 17 mil a R$ 24 mil, entre 2010 e 2013.

À TV Gazeta, a deputada lamentou a agressão à imprensa e disse ter ido prestar depoimento espontaneamente, “em respeito à investigação”. E disse que tudo será esclarecido ao final do processo.

A PF informou ao Diário do Poder que a deputada foi intimada através de seu advogado, por isso foi prestar depoimento.