Reajuste ao funcionalismo

Para Aécio, há sinais trocados e preocupantes na condução da economia

Tucano criticou o governo por ceder a pressões para reajustes ao funcionalismo público

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O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), afirmou que o partido que comanda não apoia "cegamente" o governo do presidente em exercício, Michel Temer, e alertou para os "sinais trocados e preocupantes" na condução da economia às vésperas de se completar dois meses da gestão dele. Em meio à grave crise das contas públicas, ele criticou o fato de que, ao mesmo tempo em que o governo anunciou uma meta fiscal extremamente rigorosa, cedeu a pressões para conceder reajustes ao funcionalismo público.

"Esses sinais trocados, isso não ajuda a consolidação da ideia de que há um caminho novo no Brasil. O governo vive de expectativa. Ele teve o mérito de montar uma equipe econômica qualificada, mas esses sinais trocados foram o ponto negativo nesse início de governo. Há tempo para corrigir ainda? Espero que sim. E o PSDB tem tido esse papel. Nós apoiamos o governo Michel por responsabilidade com o País, mas não apoiamos cegamente e fomos nós que alertamos da inconveniência desses sinais e aumentos neste momento", afirmou o tucano.

Questionado se falta audácia ao governo para propor medidas de contenção de despesas, como a reforma da Previdência, Aécio Neves afirmou que essa é uma "necessidade imperiosa". Ele disse que Temer justifica ser necessário o afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff. Para o tucano, a partir de agosto, passada a votação, será o momento crucial para o governo e o PSDB vai cobrar.

"Será o momento de ele colocar em prática a agenda de reformas estruturais que ele sempre nos garantiu que faria", disse o presidente do PSDB, citando a necessidade de se fazer as reformas trabalhista, previdenciária e política.

Aécio disse que Temer não fará o governo que se espera dele se ceder a pressões como do Parlamento e de setores corporativos da sociedade. Ainda assim, o presidente do PSDB faz uma avaliação positiva dos quase 60 dias da gestão Temer ao destacar que ele montou uma equipe econômica que acredita no projeto que ele lidera, ao contrário de Dilma, cujo governo combatia a gestão Levy. (AE)