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SURURUGATE AVANÇA

Operação Malacafa combate fantasmas na folha da Assembleia de Alagoas

Em Alagoas, polícia apreende dinheiro e até espingarda 12

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Em Batalha, PF achou dinheiro vivo e arma raspada (Foto: Ascom PF)

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (10) a Operação Malacafa, que cumpre 14 mandados de busca e apreensão na capital alagoana, Maceió, e nos municípios de Batalha e Jacaré dos Homens, no Sertão de Alagoas. No alvo do mandados está o esquema de desvio de recursos da Assembleia Legislativa de Alagoas, através do enxerto de laranjas de parlamentares como funcionários fantasmas na folha de pagamento. Endereços de vereadores sertanejos ligados a parlamentares foram alvos das buscas.

A operação que contou com 60 policiais federais tem como alvos políticos e outros envolvidos no esquema investigado pela Operação Sururugate, que apura um desvio estimado em R$ 150 milhões do Legislativo de Alagoas.

A Malacafa acontece depois de a PF robustecer suas investigações com informações divulgadas em vídeo pelo foragido da Justiça Alagoana, José Márcio Cavalcante, conhecido como “Baixinho Boiadeiro”, caçado pela polícia alagoana que o acusa de assassinar o vereador de Batalha, Tony Carlos Silva de Medeiros, o “Tony Pretinho” (PR), no dia 15 de dezembro de 2017. Mas o delegado regional de Combate ao Crime Organizado da PF em Alagoas, Agnaldo Mendonça Alves, ressalta que a ação não é resultado da denúncia de Baixinho, mas relativa a investigação de fatos anteriores à denúncia do foragido, que é alvo de apuração em inquérito instaurado.

Com um dos alvos, a PF apreendeu R$ 20 mil em espécie, em Batalha, onde também foi encontrada uma arma calibre 12 com cano raspado, em outro local do município sertanejo, e uma pessoa foi presa em flagrante pelo porte ilegal. E foram cumpridos nesta terça-feira 11 mandados em Batalha, 1 em Maceió e 2 em Jacaré dos Homens.

“A Operação Sururugate investiga a existência de funcionários fantasmas na Assembleia Legislativa, e essa ação de hoje busca mais elementos para comprovar isso. Nós cumprimos [mandados de] busca nas residências de alguns vereadores, mas já adianto que não posso informar os nomes", declarou o delegado Agnaldo Mendonça, sem passar detalhes das investigações, para não atrapalhar o curso do inquérito. 

O delegado disse que a sede da Assembleia Legislativa não foi o alvo da ação, em Maceió. Mas disse que parlamentares devem ser convocados para prestar esclarecimentos sobre o caso. Agnaldo Mendonça disse ainda que a possibilidade de prisões preventivas é avaliada pela PF.

Com mais de uma dezena de parlamentares sob suspeita na Operação Sururugate, a PF já divulgou o indiciamento dos deputados Edval Gaia (PSDB), Severino Pessoa (PSC), Thaíse Guedes (PTB) e o ex-deputado estadual Dudu Albuquerque (PRTB), em 2017. E o nome que batiza a nova fase da Sururugate, a Operação Malacafa, significa 'apronto' ou 'armação'. 

INFORMANTE FORAGIDO

Caçado pela polícia expôs lista de fantasmas (Reprodução Youtube)Baixinho Boiadeiro é órfão de outro vereador assassinado em Batalha, Adelmo Rodrigues de Melo, o “Neguinho Boiadeiro” (PSD), assassinado em 09 de novembro de 2017. E depois de trocar tiros com um desafeto da família Dantas, fugiu e divulgou, em janeiro, vídeo de 18 minutos em que expõe uma lista de nomes de funcionários laranjas, atribuindo a morte do pai e do outro vereador à disposição de ambos de investigar as ilegalidades na folha atribuídas ao presidente da Assembleia, Luiz Dantas (MDB), aliado do governador Renan Filho (MDB).

No vídeo, Baixinho Boiadeiro afirma que os vereadores batalhenses assassinados investigavam um esquema fraudulento milionário envolvendo 17 funcionários fantasmas na ALE, que não sabiam que eram utilizados como “laranjas”, na folha do Legislativo Estadual. E afirmou que tais servidores recebiam entre R$ 12 mil e R$ 17 mil por mês, oficialmente, mas ficavam com apenas R$ 300.

Os documentos que os vereadores assassinados teriam reunido, com dados da folha e documentos como declarações de Imposto de Renda chegaram às autoridades e a Polícia Federal realizou diligência, em março, em Batalha, onde constatou a disparidade das condições econômicas e sociais dos servidores citados pelo denunciante foragido como recebedores de salários polpudos.

Alguns dos citados têm ligações com políticos governistas, a exemplo de um vereador cuja esposa e sogra constam como “laranjas” da Assembleia, nomeados entre o início de 2015 e o final do ano eleitoral de 2016 e alguns residentes fora de Alagoas.

OUTRO LADO

Paulo Dantas, ex-prefeito de Batalha e filho do presidente da Assembleia Legislativa, chegou a ser acusado diversas vezes – inclusive no vídeo do foragido – de envolvimento na morte do vereador Neguinho Boiadeiro, juntamente com sua esposa e prefeita Marina Dantas (MDB). Mas ingressou com ação criminal contra Baixinho Boiadeiro, pedindo responsabilização judicial por calúnia.

Luiz Dantas já afirmou que a família Boiadeiro fez a denúncia “para destoar as investigações". E, em dezembro de 2017, usou a tribuna do Legislativo para afirmar que não há mais ninguém interessado na elucidação desses fatos do que ele e sua família. "Quem sujou as mãos de sangue e cometeu seus malfeitos que pague pelas regras estabelecidas na legislação”, afirmou o presidente da ALE.

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