Delação mais próxima

Odebrecht trabalha na recuperação de arquivos que provam propinas

Só haverá delação se a empresa entregar provas concretas

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A delação premiada do empresário Marcelo Odebrecht e de outros executivos está prestes a sair. Mesmo com a assinatura do acordo, há a dependência de acertos finais, entre eles, que a empreiteira Odebrecht recupere arquivos da empresa com provas do pagamento de propinas a políticos e autoridades. O processo de recuperação, segundo a empresa, está em estado avançado, segundo revelou o jornal O Globo.

Os arquivos digitais pertenciam ao Setor de Operações Estruturadas, que, segundo as investigações, funcionava como um departamento exclusivo para o pagamento de propinas. A Polícia Federal chegou a pensar que os dados teriam sido apagados após a prisão de Odebrecht, mas o depoimento do técnico de informática Camilo Gornati revelou a existência de um servidor reserva na Suíça. Nele estavam armazenados os detalhes das transações ilícitas.

Delação premiada

A Odebrecht havia prometido entregar um rol de denúncias, com os nomes dos envolvidos. Mas enfrentou dificuldades para apresentar os documentos. Para a Operação Lava Jato, essas são as provas mais “devastadoras” a serem obtidas por meio da delação. Nas últimas duas semanas, os investigadores aceitaram anexos, com os assuntos a serem delatados, apresentados pela empreiteira. Ou seja, já se sabe os crimes que serão revelados pelos executivos.

Apesar da expectativa, são necessárias provas concretas sobre as denúncias ou não haverá acordo de delação com a Odebrecht. Ainda não está definido qual será o valor devolvido ou qual a pena dos executivos após a homologação do acordo. Mas a estimativa é que fique entre R$ 6 bilhões e R$ 10 bilhões.