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Recuperou o brilho

Neymar brilha, Brasil goleia e encara Chile nas oitavas

Já eliminado, Camarões chegou a empatar jogo, mas não resistiu a Neymar

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Neymar mostrou mais uma vez porque é a grande esperança da seleção brasileira nesta Copa do Mundo. Com dois gols e participação efetiva em quase todas as jogadas, o atacante comandou o time na vitória por 4 a 1 sobre Camarões, já eliminada, na última rodada do Grupo A, nesta segunda-feira, e garantiu a classificação às oitavas de final, no estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília.

Com este resultado e a vitória do México sobre a Croácia por 3 a 1, o Brasil assegurou a primeira posição do Grupo A, com sete pontos. Os mexicanos têm a mesma pontuação, mas levam desvantagem no saldo de gols (5 a 4). Assim, a seleção brasileira vai enfrentar nas oitavas o Chile, assim como aconteceu na Copa de 2010 e 1998, neste sábado, no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte.

O México terá um difícil rival pela frente, a Holanda, que venceu as suas três partidas nesta primeira fase. O confronto será disputado no domingo, na Arena Castelão, em Fortaleza. Os holandeses ficaram em primeiro no Grupo B após vencerem os chilenos por 2 a 0, nesta segunda, em São Paulo.

Para garantir a classificação, no 100.º jogo da seleção brasileira em Copas, o time de Luiz Felipe Scolari contou com nova grande atuação de Neymar. Autor de dois gols, chegou a quatro na Copa, isolando-se na artilharia. Foram os gols que neutralizaram o nervosismo brasileiro, que abusou dos erros na defesa e no ataque no primeiro tempo, mesmo diante de um frágil adversário como Camarões.

Felipão também contou com uma ajuda do banco de reservas. Fiel ao seu elenco, o treinador recuou ao trocar Paulinho por Fernandinho no segundo tempo, dando maior estabilidade ao time. Foi só depois da entrada do volante que a seleção cresceu na etapa final e buscou o terceiro gol, dando tranquilidade à equipe e à torcida e assegurando a classificação.

O JOGO – Sob a pressão de garantir a classificação no último jogo da primeira fase, os jogadores da seleção não esconderam o nervosismo no primeiro tempo. Ele que podia ser percebido durante a execução do Hino Nacional. E que não foi amenizado com o apito inicial do árbitro.

Erros na defesa e no ataque deram o tom do começo da partida. Um deles adiou o primeiro gol brasileiro logo aos dois minutos. Neymar acertou bela enfiada para Daniel Alves cruzar da direita para Paulinho, que pegou mal e desperdiçou chance incrível quase na marca do pênalti. No rebote, Luiz Gustavo carimbou a zaga e também perdeu.

Para compensar as falhas, a seleção contava com Neymar em dia inspirado. O atacante começou a fazer a diferença aos 16 minutos ao completar para as redes cruzamento rasteiro de Luiz Gustavo, um dos melhores do time no primeiro tempo. Em grande forma, ele quase anotou o segundo aos 19. O goleiro Itandje fez boa defesa

Enquanto Neymar iniciava quase todas as jogadas do time, caindo mais pela esquerda desta vez, Fred tentava se redimir das últimas atuações. Na base da vontade, gerou perigo para a defesa africana em jogada perigosa ao tentar cabecear a bola quase no chão, em dividida com o goleiro, aos 20 minutos.

Na defesa, porém, o desempenho era irregular. Luiz Gustavo, quase como um terceiro zagueiro, salvava os vacilos de David Luiz. Mas não pôde evitar a falha de marcação do defensor que gerou o gol de empate de Camarões. Dentro da área, ele não cortou cruzamento rasteiro de Nyom para conclusão de Matip, aos 25 minutos. Antes, Thiago Silva acertara o travessão de Julio Cesar ao desviar cobrança de escanteio.

O gol da limitada equipe de Camarões trouxe à tona novamente o nervosismo brasileiro. E, por consequência, os erros bobos. E, quando a torcida já ensaiava vaias, Neymar novamente salvou o time. Aos 34 minutos, ele iniciou jogada individual pela esquerda, cortou para a direita e bateu da entrada da área, no canto de Itandje. Foi seu quarto gol nesta Copa.

Depois dos engasgos no ataque, a seleção voltou com tudo para o segundo tempo, com Fernandinho no lugar de Paulinho. A entrada do volante do Manchester City deu novo fôlego ao meio de campo. Em dois minutos, o time criou três boas chances de gol. Logo no primeiro minuto, Hulk recebeu passe de Fernandinho, entrou na área mas foi bloqueado no momento da finalização. Na sequência, Fred e Neymar levaram perigo.

A pressão culminou no gol do criticado Fred aos quatro minutos. Em posição duvidosa de impedimento, o atacante escorou de cabeça cruzamento de David Luiz, após passe de Fernandinho, e aumentou a vantagem brasileira.

O gol e a entrada de Fernandinho deram estabilidade emocional e técnica ao time, que passou a cadenciar a partida no meio de campo. Mais tranquilo, Felipão passou a poupar jogadores. Trocou Hulk por Ramires e Neymar por Willian. Nem mesmo a pancada que Luiz Gustavo sofreu no tornozelo esquerdo preocupou o treinador, que viu o volante seguir jogando sem reclamar de dores.

Nos minutos finais, a pressão em campo foi substituída pela expectativa pelo placar de México x Croácia, que jogavam ao mesmo tempo no Recife. Os mexicanos chegaram a abrir 3 a 0, ficando perto do primeiro lugar da chave, o que colocaria o Brasil em rota de colisão com a Holanda.

Mas a seleção tratou de evitar o difícil confronto quando Oscar, Fred e Fernandinho fizeram bela triangulação na entrada de área que culminou em chute certeiro, de bico, de Fernandinho, aos 38 minutos. A goleada selou a classificação e devolveu, ainda que em parte, a confiança no grupo brasileiro, às vésperas do mata-mata.

FICHA TÉCNICA

CAMARÕES 1 x 4 BRASIL

CAMARÕES – Itandje; Nyom, Nkoulou, Matip, Bedimo; Mbia, Nguemo, Moukandjo (Salli), Choupo-Moting (Makoun), Enoh; Aboubakar (Webo). Técnico: Volker Finke.

BRASIL – Julio Cesar; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz, Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho (Fernandinho), Oscar; Hulk (Ramires), Neymar (Willian) e Fred. Técnico: Luiz Felipe Scolari

GOLS – Neymar, aos 16 e aos 34, e Matip, aos 25 minutos do primeiro tempo; Fred, aos 4, e Fernandinho, aos 38 minutos do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS – Enoh, Mbia e Salli (Camarões).

ÁRBITRO – Jonas Eriksson (Fifa/Suécia).

RENDA – Não disponível.

PÚBLICO – 69.112 presentes.

LOCAL – Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília (DF).

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