Mais Lidas

'Força motriz'

Na Rússia, Dilma defende reforço do Brics contra 'crise'

Presidente falou da 'persistência' da crise mundial

acessibilidade:

A presidente Dilma Rousseff defendeu nesta quinta-feira, 9, em Ufá, na Rússia, o reforço do Brics – grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – para enfrentar o momento "de crise internacional". A afirmação foi feita durante o encontro de chefes de Estado e de governo com o Conselho Empresarial do Brics, primeiro evento formal da cúpula realizada em Ufá, na Rússia. Na oportunidade, a presidente destacou as medidas do ajuste fiscal, enquanto o presidente da China, Xi Jinping, não mencionou a tensão nas bolsas de valores de seu país.

Dilma foi a última dos cinco líderes do Brics a chegar, e também a última a discursar. Durante oito minutos, a presidente destacou os avanços institucionais alcançados pelos países-membros do grupo, como a criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e do Fundo Contingente de Reservas (CRA). Mas, em toda a sua declaração, ressaltou a importância da união do grupo frente aos desafios de uma economia global turbulenta. "Nesse momento de crise internacional, nós devemos reforçar cada vez mais o papel dos BRICS para o desenvolvimento global", apregoou. 

Dilma lembrou que o Brics "tem sido responsáveis por 40% do crescimento mundial e pela intensificação dos fluxos econômicos entre os países do mundo", mas que há grandes desafios, como o aumento dos investimentos. "Até 2020, os países em desenvolvimento como um todo precisarão de um volume de investimento em infraestrutura que alguns calculam em cerca de US$ 1 trilhão por ano", destacou. "Atingir essa cifra não será tarefa simples. O investimento externo mundial caiu quase 50% nos últimos cinco anos."

A brasileira também mencionou o ajuste econômico promovido pelo governo para reequilibrar as contas públicas. "No Brasil estamos fortalecendo nossas políticas macro e microeconômica para retomar o mais breve possível o crescimento sustentável da economia", explicou. "Para estimular os investimentos, buscamos reduzir o risco regulatório e aumentar a transparência e a governança entre empresas e governos."

Depois de convidar os empresários russos a participar do plano de investimentos, durante reunião bilateral realizada na noite de quarta-feira com o presidente russo, Vladimir Putin, Dilma voltou ao tema. "Lançamos um plano ambicioso na área de infraestrutura, especificamente em logística, e estimulamos ampla presença de investidores dos países BRICS em setores como ferrovias, rodovias, portos e aeroportos", afirmou.

Bolsas chinesas. Em uma manifestação esperada por investidores de todo o mundo, o presidente da China, Xi Jinping, não fez referências à turbulência provocada pela queda das ações das maiores companhias listadas em bolsas de valores de Xangai e Shenzhen, que registraram na quarta-feira recuos de 5,9% e 6,8%, respectivamente. Desde meados de junho, as empresas já perderam US$ 3,5 trilhões, enquanto as bolsas registraram perdas de um terço de seus valores. Em seu pronunciamento, Jinping foi mais uma vez genérico ao falar de crise internacional, como havia acontecido na reunião bilateral de quarta com Putin.

O presidente chinês afirmou que o Brics precisa trabalhar junto "para ultrapassar as dificuldades temporárias" e colaborar "para levar nossas economias para um nível mais elevado". "A economia mundial está se recuperando a um ritmo lento. Para economias desenvolvidas e emergentes, há desaceleração", afirmou. "O Brics está colaborando e temos de estar conscientes que emergentes têm grandes desafios." 

Já o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, se disse orgulhoso da performance dos países do Brics, que, em meio a "um clima econômico desfavorável" e marcado pela "falta de crescimento", "estão na liderança do crescimento".

A cúpula do Brics prossegue nessa quinta-feira com um encontro privado dos chefes de Estado, um almoço de trabalho, uma sessão plenária e declarações à imprensa, antes do jantar de encerramento. Em meio aos compromissos, Dilma Rousseff terá encontros bilaterais com os presidentes de Belarus e da África do Sul, antes de se encontrar com o presidente da China, em um encontro programado para acontecer às 17h no horário local (9h de Brasília). A agenda se completa com um encontro com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. (AE)