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Desvios na licitação

MP vai cruzar dados do monotrilho com planilha de Youssef

Promotoria em SP quer acesso à planilha de Alberto Youssef para investigar obra da Linha 15 ? Prata do Monotrilho de São Paulo

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O Ministério Público de São Paulo pediu à Justiça Federal do Paraná o compartilhamento de provas envolvendo a suposta atuação do doleiro Alberto Youssef, um dos alvos principais da Operação Lava Jato, em obras da Linha 15 ? Prata do Monotrilho de São Paulo. A Promotoria busca ter acesso a todos os documentos da Lava Jato que envolvam a obra em São Paulo, incluindo a planilha apreendida com Youssef pela força tarefa da Lava Jato contendo informações sobre cerca de 750 contratos de obras públicas que estariam na mira do doleiro.

A solicitação é subscrita pelo promotor Augusto Eduardo de Souza Rossini, da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital e tem como base um inquérito civil aberto no final do ano passado que visa apurar ?irregularidades consistentes em supostos desvios na licitação do trecho do Monotrilho entre as Estações Oratório e Vila Prudente, integrante da Linha 15-Prata do Metrô e descumprimento do prazo de entrega do referido trecho do Monotrilho pelos representados?, assinala o promotor Rossini no pedido.

O inquérito foi aberto com base na planilha apreendida pela PF na Lava Jato divulgada pela imprensa e que, entre as 750 obras, consta na página 14 a ?Obra Vila Prudente?, tendo como ?cliente? a Construtora OAS, como ?contato? o engenheiro Vagner Mendonça e como ?cliente final? o Metrô. Aparece na planilha ainda uma proposta enviada em ?7/4/2011?, no valor ?RS 7.901.280,00?.

A promotoria vê suspeita de propina na quantia que aparece na planilha, que tem servido para os investigadores da Lava Jato chegarem a outras empresas, setores da administração e pessoas que podem ter pago propina na lavanderia que alimentou o caixa 2 do PT, PMDB, PP, PSDB e PSB.

O inquérito do Ministério Público de São Paulo tem como alvos, além da Companhia do Metropolitano de São Paulo, o doleiro Alberto Youssef, a Construtora OAS, também ré na Lava Jato, a Bombardier ? alvo de investigações do cartel de trens em São Paulo -, o consórcio Queiroz Galvão e o engenheiro Vagner Mendonça.

Estrutura criminosa. O valor global dos contratos que aparecem na planilha e, segundo as investigações, teriam sido intermediados por Youssef, chega a R$ 11 bilhões. ?Os valores abrangem uma ampla gama de grandes empreiteiras e períodos, onde se infere que o esquema criminoso vai muito além das obras contratadas pela Petrobrás?, afirma a Polícia Federal no relatório da Operação Juízo Final ? sétima fase da Lava Jato -, quando pediu a prisão do núcleo empresarial do esquema de corrupção e propina na estatal petrolífera, no dia 14.

?O esquema é muito maior do que a mera Diretoria de Abastecimento da Petrobrás, mas abrange sim uma estrutura criminosa que assola o País de Norte a Sul, até os dias atuais?, afirma a Lava Jato. (Mateus Coutinho, Fausto Macedo e Ricardo Brandt/AE)