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MP e OAB apuram 'influência' de bacharel sobre polícia de Alagoas

Atuação 'assessor' de delegado pode ser levada à PF pela OAB

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Três dias após o Diário do Poder denunciar, o Ministério Público Estadual de Alagoas (MP/AL) decidiu, nesta sexta-feira (13), investigar se o bacharel em direito Wellington de Lima Spinellis teria mesmo poder de influenciar e articular operações policiais, como prometeu a uma vítima de assalto abordada, em setembro, na Delegacia de Roubos de Maceió.

O caso pode ser levado à Polícia Federal pela Seccional Alagoana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AL), que também vai investigar a legalidade da abordagem de Spinellis a “clientes” em delegacias.

Em áudio enviado a uma vítima de assalto, Spinellis disse poder incluir “situações” em operações policiais, alegando ser “assessor” do chefe da Polícia Civil, delegado Paulo Cerqueira, de quem garantiu ao Diário do Poder que é “amigo”. À vítima do assalto, ele disse citou ainda a suposta “influência” sobre o delegado que chefia o Núcleo de Inteligência da Polícia Civil, Fabrício Lima do Nascimento. Mas ambos os delegados sequer abriram inquérito, após um boletim de ocorrência ser registrado, por “não ver indício de autoria de crime”.

Bacharel confirmou supostas amizade e influência na PC (TV Spinellis)Ao contrário do que fizeram os delegados citados pelo “prestador de serviços informais” à cúpula da Polícia Civil, o promotor de Justiça responsável pelo Controle Externo da Atividade Policial, Delfino Costa Neto, vai solicitar a abertura do inquérito policial, pedindo que seja designado um delegado especial para o caso.

Já a OAB Alagoas, irá instaurar um procedimento ético, através do Tribunal de Ética e Disciplina (TED), para apurar o possível exercício ilegal da profissão. A informação é do presidente do TED, Telmo Calheiros.

Através da assessoria de imprensa da OAB, ele explicou que, a depender da apuração interna do procedimento na Ordem, outra medida que poderá ser adotada é oficiar a Polícia Federal em Alagoas para instaurar o inquérito tendente ao processamento.

ÁUDIO VAZADO

O caso chegou ao conhecimento público, após a vítima da abordagem negar o oferecimento de ajuda para solucionar o caso e recuperar seus celulares. E áudio com a reação do “assessor”, em tom de desaforo, vazou pelo aplicativo WhatsApp, com o homem garantindo ter aval dos delegados e uma equipe ao seu dispor. E ainda duvidar que delegado nenhum buscaria recuperar celular roubado. 

Ao Diário do Poder, Spinellis reafirmou ser “amigo particular” e trabalhar com o delegado-geral Paulo Cerqueira há muitos anos, sem ter cargo público no Estado. Também disse ser informante da polícia. E, quando questionado sobre qual seria o tipo de serviço prestado, afirmou que seria “complicado” explicar, pedindo que a reportagem procurasse o próprio Paulo Cerqueira para explicar.

Sem registro na Ordem dos Advogados do Brasil, o “influente” bacharel em Direito disse ter como renda o que “seus clientes” pagam para que atue em processos assinados por outros advogados, fruto de seus plantões em delegacias e contatos com lideranças comunitárias.

Spinellis não quis comentar a abertura de investigações contra ele. E os delegados não mais se manifestaram, após a publicação da matéria.

Leia a reportagem que revelou o caso no endereço
http://www.diariodopoder.com.br/noticia.php?i=89660937628