Continua no STF

Moro pretende finalizar sua parte na Lava Jato até dezembro

Juiz criticou o governo e o Congresso por não combaterem a corrupção

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Apesar de não querer fazer previsões, o juiz federal Sérgio Moro disse nesta quinta-feira, 14, que espera terminar sua parte na Operação Lava Jato até o fim deste ano. Moro está em Washington, nos Estados Unidos, para um ciclo de palestras no Instituto Brasil, do Wilson Center, onde participou do debate “Tratando dos casos de corrupção política no Brasil”.

“A investigação ainda está em aberto. É difícil fazer previsões, mas espero acabar a minha parte na Lava-Jato até o fim do ano”, afirmou. Mas ele relembrou que a parte que cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF) deve continuar por mais tempo.

Durante o evento, o juiz afirmou ainda que “nenhum país está condenado a ser corrupto” e que a corrupção, como um crime isolado, “existe em todo o mundo”. No entanto, ele ressaltou que há um ambiente de corrupção sistêmica no Brasil, em diversas esferas do governo, e que representam “uma degeneração grave de costume público e privado, especialmente em nações democráticas”.

Delações premiadas

Moro também voltou a minimizar as críticas às delações premiadas. Segundo ele, a principal arma das investigações continua a ser o rastreamento do dinheiro. “ Alguns críticos da Lava Jato dizem que a operação depende muito das informações obtidas nestes acordos de delação. A verdade é que o processo envolve o uso de outros métodos de investigação, e a velha estratégia de seguir o dinheiro continua a ser o mais importante método de investigação”, ressaltou.

Segundo o magistrado, a quebra do sigilo bancário dos suspeitos tem auxiliado muito, juntamente com a cooperação internacional, para descobrir valores alocados no exterior.

Combate à corrupção

Sérgio Moro não poupou o Congresso Nacional e nem o governo federal de críticas. Para ele, ninguém fez contribuições “significativas” para o combate à corrupção, além de discursos. “Esta omissão (do governo e do Congresso) é muito decepcionante”, disse.

“A Operação Lava Jato, assim como outros casos recentes no Brasil, revela que muito pode ser feito, mesmo sob o atual sistema, desde que o problema seja tratado com seriedade. A Justiça não pode ser faz de conta, com casos que nunca terminam e as pessoas que foram provadas culpadas de crimes que nunca são punidas”, disse. “Vamos ser claros: o governo é o principal responsável pela criação de um ambiente político e econômico livre de corrupção sistêmica. O governo, com maior visibilidade e poder, ensina pelo exemplo”, completou.

Moro ressaltou ainda que, “no combate à corrupção sistêmica, a iniciativa do setor privado também tem um papel relevante. A corrupção envolve aqueles que fazem pagamentos ilícitos e aqueles que os recebem. Ambas as partes são culpadas”.