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OPERAÇÃO SUCUPIRA

Mestrado alvo da PF retoma as aulas sob nova coordenação na Ufal

Ufal luta por curso que teve professores acusados de corrupção

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Após duas semanas de paralisação causada pela deflagração da Operação Sucupira, as aulas do Programa de Mestrado Profissional em Administração Pública em Rede (Profiap) foram retomadas, na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), sob nova coordenação. A volta às aulas acontece a após o indiciamento de sete professores pela Polícia Federal, investigados por suspeita de favorecer assessores do governador Renan Filho (PMDB), com o ingresso e progressão no mestrado que forma gestores públicos.

A Reitoria indicou o professor Gustavo Madeiro da Silva para coordenar temporariamente o Profiap, como parte do esforço da Ufal pela continuidade e manutenção da qualidade do curso. E avalia como substituirá os professores afastados por suspeitas de corrupção, reveladas por reportagem do Diário do Poder que provocou a deflagração da Operação Sucupira, no dia 11 deste mês de maio. Por isso, a prioridade é a publicação de edital para o credenciamento de professores.

Profiap tem novo coordenador: Gustavo MadeiroA nomeação de Gustavo Madeiro tem o aval do Comitê Gestor e Comissão Acadêmica Nacional do programa de pós-graduação, cujo ex-coordenador Cláudio Zancan, foi um dos professores que receberam R$ 108 mil em recursos da Secretaria de Saúde de Alagoas, que a PF afirma terem sido propina paga para favorecer os “alunos vips” que ocupam cargos de confiança no alto escalão do Governo de Alagoas.

Professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (Feac), onde funciona o Profiap, Madeiro tenta acalmar os estudantes. “Precisamos tranquilizar os alunos sobre a continuidade das aulas e do programa, para que eles voltem a se preocupar unicamente com suas obrigações acadêmicas. Temos o forte apoio da Reitoria, da Feac e da Coordenação Nacional [do Profiap] pelo restabelecimento da normalidade”, disse o professor, que também está à frente da Coordenadoria Institucional de Educação a Distância (Cied).

SEM SUSPENSÃO

Valéria Correia ressalta papel social do Profiap (Foto: Marco Antônio)

A reitora da Ufal, Valéria Correia, foi a Brasília, no último dia 25, para entregar à Diretoria Executiva da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e ao Comitê Gestor Nacional do Profiap um documento com o relato dos últimos acontecimentos envolvendo o programa de pós-graduação em rede na Ufal.

No documento, a reitora relata que a Universidade Federal de Alagoas tomou todas as providências cabíveis quanto à Operação Sucupira e declara o seu categórico interesse na manutenção das atividades da rede Profiap, reiterando a sua disposição em contribuir para a elucidação dos fatos, bem como o seu compromisso na busca pelos subsídios necessários ao prosseguimento do curso.

Valéria Correia destaca ainda para a Andifes, a expressividade social do Profiap, particularmente no processo de formação de quadros técnicos, que tem cerca de 70% dos alunos constituído por servidores da própria Ufal.

“O retorno foi muito positivo, não haverá suspensão do curso, garantimos não apenas a continuidade das aulas, mas também o apoio da comissão nacional, que se colocou à disposição para apoiar no que for preciso, inclusive, com o credenciamento de novos professores para auxiliar no curso”, explicou a reitora, por meio da assessoria da Ufal.

O documento também será encaminhado à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

O ESQUEMA

A Operação Sucupira indicou 15 pessoas e nasceu de um denúncia veiculada em primeira mão pelo Diário do Poder em 31 de março. De acordo com as informações confirmadas pelo inquérito, um grupo de oito servidores estaduais teria feito pagamentos a sete professores, em troca do favorecimento dos assessores de Renan Filho que, como “alunos especiais”, ingressaram e progrediram irregularmente Mestrado Profiap. Tudo isso feito por meio da manipulação de dados do Sistema Sucupira, que registra eletronicamente o histórico de cada aluno de mestrado.

Ediberto e Wagner são amigos íntimos de Renan Filho (Fotos: Facebook)

Dos crimes que o delegado cita como bem configurados nas práticas atribuídas aos servidores, corrupção é o mais conhecido, e peculato consiste na “subtração ou desvio, por abuso de confiança, de dinheiro público ou de coisa móvel apreciável, para proveito próprio ou alheio, por funcionário público que os administra ou guarda; abuso de confiança pública”.

Diário do Poder apurou o nome de cinco dos sete assessores de Renan “mestrandos” indiciados. São eles: José Ediberto de Omena, secretário-executivo de Gestão da Secretaria de Saúde de Alagoas (Sesau); Wagner Morais de Lima, diretor-presidente da Agência de Modernização da Gestão de Processos (Amgesp); Marcus Antônio Vieira Vasconcelos, diretor-presidente da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de Alagoas (Arsal); José Luciano dos Santos Júnior, diretor-presidente do Instituto de Tecnologia em Informática e Informação do Estado de Alagoas (Itec); Noé Higino de Lima Filho, gerente-executivo do Instituto de Tecnologia em Informática e Informação do Estado de Alagoas (Itec).

Veja quais os professores receberam recursos da saúde pública, para favorecer os assessores de Renan Filho, segundo conclusão da PF: Anderson de Barros Dantas, diretor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (Feac), que recebeu R$ 15 mil, entre julho de 2016 a fevereiro de 2017; Claudio Zancan, coordenador adjunto da Comissão Acadêmica Nacional do Profiap, que recebeu R$ 29.048,00, entre agosto de 2015 e março de 2016; Waldemar Antonio da Rocha de Souza, o livre docente que recebeu R$ 29.048,00, entre agosto de 2015 e março de 2016; Andrew Beheregari Finger, professor que recebeu R$ 15 mil, entre julho de 2016 e fevereiro de 2017; e Antonio Carlos Silva Costa, professor que recebeu R$ 19.949,42, entre julho de 2016 e fevereiro de 2017.