O sujo falando...

Médicos brasileiros ignoram próprios erros e hostilizam estrangeiros

Em janeiro deste ano, a brasileiríssima pediatra Fernanda Lopes também errou

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Os médicos brasileiros resolveram esquecer seus próprios erros e decidiram, nesta terça-feira (15), massacrar nas redes sociais os profissionais do programa Mais Médicos, do Governo Federal. Isso porque o argentino Juan Pablo Cajazus errou ao prescrever o antibiótico Azitromicina a um paciente idoso. Ele sugeriu o uso de 500 mg do medicamento, de oito em oito horas, por oito dias seguidos. O certo, segundo recomendação da própria Anvisa, seria uma dose diária de 500 mg por três dias.

Em Maio deste ano, o Ministério Público do Distrito Federal (MPDF) denunciou a pediatra Fernanda Sousa Cardoso Lopes, brasileiríssima, que prescreveu uma dosagem excessiva de adrenalina para a menina Rafaela Luiza Formiga, de apenas 1 ano e 7 meses, em janeiro deste ano. A criança acabou morrendo três dias depois por overdose no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib).

Na época, o presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia do Distrito Federal (Asbai-DF), Sérgio Camões, garantiu que a dose de adrenalina que Rafaela tomou, 3,5 ml, é usada normalmente em adultos, ainda assim, apenas em casos de paradas cardiorrespiratórias. ?É um erro grosseiro?, disse na época sobre a médica brasileira.

Mesmo tendo conhecimento de casos como esse, diversos profissionais brasileiros ignoram os fatos e criam blogs para hostilizar não só Juan, mas todos os médicos estrangeiros que fazem parte do programa. Um exemplo é o perito.med.br, que chama os profissionais de ?intercambistas? e diz que o governo comete uma ?covardia? ao ?expor a população a esse tipo de atendimento?.

O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) prometeu abrir sindicância para apurar o caso do médico argentino. “Queremos saber do médico a razão para essa dosagem, que aparentemente não tem o porquê de se fazer. Assim como ouvimos médicos brasileiros nesses casos, também temos de ouvir esse médico estrangeiro, pois a lei é única”, afirma.